quarta-feira, 4 de agosto de 2010

DUTRA: "CANSAMOS DO DOMÍNIO POLÍTICO DO SENADOR SARNEY"

Em discurso, nesta terça feira, no Plenário da Câmara dos Deputados, Domingos Dutra (PT-MA) fiz um curto mas forte pronunciamento contra o quase “eterno” domínio de José Sarney no Maranhão. Dutra explicou os motivos que o levarão a fazer greve de fome. Leia abaixo a íntegra do discurso:

“Senhor Presidente, Senhores Deputados e Senhoras Deputadas: estamos voltando do recesso em plena campanha eleitoral. Peço a Vossa Excelência, Senhor Presidente, que autorize o registro nos anais desta Casa, para efeitos políticos e legais, deste pronunciamento, em que explico ao povo brasileiro e ao povo maranhense, de forma especial, os motivos que me levaram a fazer greve de fome com Manoel da Conceição, durante oito dias, no plenário desta Casa.

Destaco, neste pronunciamento, que a greve de fome que fizemos teve o principal objetivo de anular a decisão do Diretório Nacional do PT de entregar o PT do Maranhão à Roseana Sarney, filha do Senador José Sarney, violando a democracia interna. Com a greve de fome, não conseguimos anular a intervenção, mas conquistamos muitas vitórias: a principal foi garantir a candidatura do Deputado Flávio Dino ao Governo do Maranhão. Quero dizer a este Plenário, ao Maranhão e ao Brasil, que o Deputado Flávio Dino será eleito governador, e não será surpresa se ele for eleito em primeiro turno, possibilidade que decorre do cansaço diante do modelo político implantado pelo Senador José Sarney no Estado, que já se “perpetua” por 46 anos.

O Maranhão, já afirmei, é um dos Estados mais ricos do Brasil: temos água doce em abundância, temos o segundo litoral do Brasil e temos diversos e lindos recursos naturais. Somos a mistura de um povo alegre: holandês, francês, português, índio e negro, do qual sou descendente. Mas o nosso Estado é de um povo pobre, porque há 46 anos o Senador José Sarney implantou uma ditadura pior do que a de Saddam Hussein, no Iraque. Basta dizer a Vossas Excelências, que o nosso produto e os nossos recursos todos saem do Maranhão como se fossem um ralo. O ferro-gusa passa pela nossa porta e vai para o exterior. A soja sai in natura e vai para a Ásia e a Europa. O coco que consumimos vem do Piauí. A manga vem da Bahia. As verduras vêm do Ceará e de Pernambuco. As bandas de música que tocam no Maranhão são baianas ou cearenses. A cachaça que tomamos é de fora. O Piauí tem a Mangueira, o Ceará a Ypióca, Pernambuco a Pitu, São Paulo, a Pirassununga; Minas Gerais, várias marcas... Mas no Maranhão, até a cachaça tem que ser exportada.

Cansamos do domínio político do Senador José Sarney e, por isso, fizemos essa greve de fome. Fomos vitoriosos. A candidatura do Deputado Flávio Dino, apesar da pobreza financeira, cresce a cada dia... estou mais “tostado” de tanto fazer campanha a pé. Já andamos 25 quilômetros a pé, fazendo campanha na unha. Andamos a pé em Governador Nunes Freire, em Maracaçumé, em Pinheiro, em Bequimão, em Palmeirândia, em Coroatá, em Caxias. Assim vai ser nossa campanha, para dizer ao Brasil que, no Maranhão, cansamos desse modelo político controlado e manipulado pelo Senador José Sarney.

Tenho certeza de que nesta eleição nós vamos incluir o Maranhão no mapa do Brasil, porque é o único Estado do País em que não houve alternância no poder. Lá existe um cacique que tem 55 anos de mandato. Como eu sempre digo, no Maranhão, o Senador José Sarney só não interfere, só não manda em três atividades econômicas: no caldo de cana da Praça João Lisboa, na fábrica do Cuscuz Ideal e na fábrica de papagaios do Zezé Caveira. No resto todo o Sarney manda. E agora, quer que o Papa autorize a mudar o sinal da cruz: em vez de ser “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, ele quer que seja “Em nome do pai, da filha, do filho, do genro e de mais ninguém”.

É por isso que a greve de fome que fizemos aqui, durante oito dias, está surtindo efeito. Vamos eleger o Deputado Flávio Dino, para que o Maranhão possa respirar liberdade, justiça e paz. Muito obrigado!

Fonte: JP

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