sexta-feira, 1 de outubro de 2010

'O TSE ME DESRESPEITA DESDE 2009', AFIRMA JACKSON LAGO

Em entrevista ao iG, ex-governador do Maranhão afirma que eventual desistência da candidatura eram boatos

A liberação da candidatura de Jackson Lago (PDT) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao governo do Estado do Maranhão, deu um novo ânimo ao front pedetista. Não somente pelo deferimento da candidatura do ex-governador, mas porque acabou, pelo menos momentaneamente, com os boatos relacionados a uma desistência de Jackson Lago na corrida pelo governo do Maranhão.

Hoje, com a candidatura pedetista confirmada, Lago esqueceu compromissos de campanha e se dedicou a conceder entrevistas a rádios do interior do Maranhão e a jornais, revistas e portais de internet. Em seu escritório, em um apartamento de classe média alta, no bairro Ponta D’Areia, ao lado de livros de medicina e uma fotografia do fundador da República Popular da China, Mao Tsé-Tung, Lago afirmou ao iG que o TSE o desrespeita desde 2009 e que achava injusta a demora do seu julgamento. “Agora é hora de mostrar que eu sou candidato”, resumiu.

iG – Qual é a sua avaliação do resultado do TSE liberando a sua candidatura?

Jackson Lago – Não poderia ser outra a decisão. Eu tenho uma vida inteira de correção, de seriedade e de combate à corrupção. Eu tenho uma história de vida e gostaria que muitos a tivessem da mesma forma. Afinal, sou um homem de respeito.

iG – O senhor acha que faltou respeito do TSE?

JL – Acho que eles deveriam ter respeitado o Jackson Lago ao manter o meu mandato de governador no ano passado. Ou se não tivessem demorado 42 dias para julgar o consenso.

iG – O senhor acha que foi desrespeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral nos dois casos, tanto na cassação, quanto na demora do seu registro de candidatura?

JL – Acho, sem dúvida.

iG – Com o resultado do TSE, muda algo a partir de agora nessa reta final de campanha?

JL – Cessa, de uma vez por todas, a especulação de que eu não seria candidato, de que os meus votos não valiam. Enfim, uma série de especulações relacionadas ao meu nome.

iG – Agora o foco é lançar essa mensagem ao público, mesmo sem a propaganda eleitoral na televisão?

JL – Agora é momento de divulgação da decisão do TSE, que lamentavelmente demorou 42 dias, quando outros processos demorar três.

iG – Por quais motivos o senhor acha que o processo demorou tanto a ser julgado?

JL – Eu não sei. Agora, o da Rosana foi julgado em três dias. O meu demorou 42 dias.

iG – O senhor acha que houve alguma influência de seus adversários?

JL – Não sei. Estou dando estatísticas, dando números. Da Roseana foram três dias e o meu foram 42.

iG – Em 2009, depois do processo de cassação do seu mandato o senhor culpou uma eventual influência da família Sarney nesse caso. Agora, o senhor tem a mesma opinião sobre a demora do julgamento do seu registro de candidatura?

JL – Quem é que tem dúvida que no último meio século, a família Sarney esteja vinculada e influencie instituições federais, quer sejam civis ou militares. De direita ou de esquerda. Eu não tenho a menor dúvida disso, de que houve influência sim no meu caso.

iG – Essa demora no julgamento do seu registro no TSE atrapalhou a campanha de Jackson Lago?

JL – As pessoas de menor formação política ficaram duvidosas. Entre as que têm maior formação, não alterou em nada.

iG – Surgiram informações na imprensa de que o Jackson Lago poderia renunciar. Que houve até acordos com aliados para isso. De fato, houve alguma conversa nesse sentido?

JL – Jamais faria isso. Nem cogitaria. Eu não cometi nenhuma ilicitude e tinha certeza de que essa violência que aconteceu no Maranhão (a cassação do seu mandato como governador em abril de 2009), não ocorreria uma segunda vez.

iG – Falou-se até que o candidato Flávio Dino teria orquestrado a sua desistência...

JL – Lamentável quem cogitou isso. Eu não desistiria com base na minha coerência política.

iG – As pesquisas indicam uma disputa entre o senhor e o Flávio Dino caso ocorra um segundo turno. O senhor o considera uma ameaça?

JL – É bom que ele seja candidato, que comece a participar de um processo, mas ele é uma promessa para o amanhã.

iG – Em um eventual segundo turno entre Roseana e Flávio Dino, o senhor faria palanque para Dino?

JL – Em minha vida inteira eu nunca traí o meu grupo ou me aliei ao grupo dominante no Estado. E não seria agora, em 75 anos de vida pública, depois de um mandato, que eu iria votar em alguém ligado ao Grupo Sarney.

iG – No caso o senhor faria palanque?

JL – Qualquer um que fosse para o segundo turno contra o grupo dominante eu apoiaria, muito embora eu ache que a minha candidatura é que irá para o segundo turno.

iG – Ontem o Ibope afirmou que Dino está três pontos percentuais à sua frente...

JL – O Ibope sempre errou. E eu conheço em longas datas. Nunca acertou nas nossas campanhas para prefeito e para governador. Recentemente o deputado Ciro Gomes afirmou em O Estado de São Paulo que (Carlos Augusto) Montenegro vende até a mãe para fazer resultados.

iG – Mesmo assim, com essas dificuldades, como o senhor avalia a campanha de 2010? Foi igual à de 2006 (quando ele chegou ao governo)?

JL – Para mim foi uma campanha melhor, porque agora em 2010 sou mais conhecido. Fui governador durante dois anos, tive uma presença, em termos de realizações, em dezenas de municípios do Estado. Pude adotar uma prática de descentralização, de municipalização, deixou de ser uma prática, uma rotina e mostrei que o Maranhão tem dinheiro para fazer obras.

Wilson Lima, iG Maranhão

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