domingo, 20 de fevereiro de 2011

"XERIFE" DE SARNEY DIZ QUE FEZ GOVERNO "90% HONESTO"

João Alberto deve assumir Corregedoria, responsável por apurar irregularidades no Senado. Ele é aliado fiel da família Sarney

A Corregedoria do Senado é responsável por apurar irregularidades cometidas por seus membros e funcionários. Hoje, o mais cotado para assumir o posto é o senador João Alberto de Souza, do PMDB do Maranhão. Em 40 anos de vida pública, João Alberto é mais conhecido pela fidelidade ao presidente da Casa, José Sarney, e pela frase que cunhou quando foi governador do Estado, no começo dos anos 90. À época, ele disse fazer um governo "90% honesto".
 Foto: Divulgação
João Alberto (à direita), senador pelo PMDB do Maranhão, ao lado de Edison Lobão, ministro de Minas e Energia

A frase, desde então, criou momentos constrangedores a João Alberto, mas não o impediu de conquistar a vaga ao Senado neste ano. Em 1992, quando ele se candidatou a prefeito de São Luís, sua então adversária, Conceição Andrade, espalhou cartazes por toda São Luís criticando o governo “90% honesto”. Mesmo sendo ex-governador, Alberto perdeu aquela eleição para Conceição Andrade, que disputava a sua primeira eleição para um cargo do poder executivo.

Durante as eleições de 2010, a frase mais uma vez voltou à tona. Desta vez, entretanto, ele conseguiu se eleger tendo como principal cabo eleitoral o atual ministro de Minas e Energia, Edison Lobão - um dos aliados mais próximos da família Sarney. 

Grupos de extermínio
João Alberto é acusado por diversos grupos de defesa dos direitos humanos do Maranhão de ter patrocinado uma série de homicídios durante o início dos anos 90, na chamada “Operação Tigre”. Com o intuito de se reduzir a criminalidade de Imperatriz, cidade a 636 quilômetros de São Luís e uma das maiores do Estado, vários assaltantes e pistoleiros foram mortos. Movimentos sociais ainda acusam Alberto de ter torturado e de até mandado executar pessoas que estavam apenas sendo investigadas por envolvimento com o crime organizado. Até hoje não se tem provas concretas da ligação direta do senador João Alberto com esses crimes, que nega todas as acusações.

Ele também foi alvo, na década de 90, de duas CPIs na Assembléia Legislativa do Maranhão. Uma investigou indícios de irregularidades na Companhia Habitacional Popular do Maranhão (Cohab). A outra apurou irregularidades na Companhia de Desenvolvimento Rodoviário do Maranhão (Coderma) e no Departamento de Estradas de Rodagem (DER). A CPI revelou que ocorreram “altos dispêndios administrativos não recomendados (diárias, passagens aéreas) em desobediência aos interesses públicos”. Apesar disso, não houve condenações contra João Alberto.

Em 2010, a candidatura dele foi impugnada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). Isso porque, segundo o MPE, ele assumiu funções como vice-governador após o prazo de desincompatibilização eleitoral durante um evento realizado em maio do ano passado. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, ele conseguiu manter sua candidatura porque alegou que apenas representou a governadora e não assinou documentos ou deliberações em nome de Roseana Sarney.

João Alberto de Souza, de 75 anos, nasceu na cidade de São Vicente Férrer em 1º de outubro de 1935. É formado em Economia pela Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas, no Rio de Janeiro, e se elegeu deputado estadual em 1971. Em 2010, declarou ao TSE ter patrimônio de R$ 2,1 mihões. Alberto é um dos mais fiéis aliados da família Sarney no Maranhão e, nos bastidores, é considerado um político moderado, sempre capaz de fazer sacrifícios pessoais em nome da união do grupo do presidente do senado no Maranhão.

Com informações de Wilson Lima, iG Maranhão

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