quarta-feira, 8 de junho de 2011

ASSENTAMENTO PERDE 12% DE FLORESTA EM 4 ANOS, CONFIRA

Projeto, liderado por casal executado no final de maio, ficou sem 2,7 mil hectares de mata nativa, diz Ibama
 Foto: Divulgação/Ibama
Área recém-desmatada em Nova Ipixuna, onde casal de extrativistas foi executado

Apenas nos cinco primeiros meses de 2011, aproximadamente 340 hectares de florestas foram desmatados dentro do projeto agroextrativista Praialta-Piranheira, em Nova Ipixuna, cidade a 390 quilômetros de Belém onde o casal de ambientalistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foi assassinado, no dia 24 de maio. Eles se opunham ao desmate da floresta na região.

A área desmatada corresponde a aproximadamente 3,4 milhões de metros quadrados ou a 1,5% da área total do assentamento, que tem 22 mil hectares. Para se ter uma idéia, a área equivale a 340 campos de futebol. 

Com esse número,  2,7 mil hectares de florestas dentro do projeto Praialta-Piranheira já foram devastados em apenas quatro anos. Ou seja, 12% da área total do assentamento. Pelos dados do Ibama, em 2007 as florestas somavam 12,3 mil hectares e as áreas de uso alternativo (já convertidas para pecuária ou agricultura), 10,4 mil hectares. No ano passado, a área de floresta caiu para 9,6 mil hectares e de uso alternativo manteve-se em 12,2 mil hecatres.

Na região, segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), também foram identificados 23 lotes onde ocorreram desmatamentos e exploração ilegal de madeira nativa. Ao todo, as multas apenas por desmatamento, só neste ano, devem chegar a R$ 1,7 milhão, ainda segundo o Ibama.

Em um dos lotes fiscalizados, uma pessoa desmatou 58 hectares de mata nativa. O agricultor derrubou a floresta até a margem do rio Tocantins para implementar um pasto para gado. A madeira virou carvão mineral. O responsável não era assentado nem morava no projeto. Ele comprou parte do lote por R$ 5 mil de antigos moradores em agosto do ano passado.

Para o coordenador da operação do Ibama em Nova Ipixuna, Marco Vidal, esse é "um caso que se repete em todo o assentamento". Dados do órgão atestam que 200 famílias foram assentadas no projeto agroextrativista Praialta-Piranheira em 1997, quando ele foi criado. Hoje, quase 500 famílias residem na região. A maioria invadiu a área ou adquiriu lotes de forma ilegal, ainda segundo o Ibama. Vidal alerta que boa parte dos assentados vive da exploração ilegal de madeira e da criação de gado na região.

Wilson Lima, iG Maranhão 

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