terça-feira, 7 de junho de 2011

DIVULGADO FOTOS FALADAS DE MATADORES DE EXTRATIVISTAS

José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva foram executados no dia 24 de maio, em Nova Ipixuna, no Pará

Após duas semanas de investigação, a Polícia Civil do Pará divulgou dois retratos falados dos principais suspeitos pelo assassinato do casal de líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva. Eles foram executados a tiros na manhã de 24 de maio, na cidade de Nova Ipixuna, distante 390 quilômetros de Belém.

Pelos retratos-falados, um dos suspeitos teria pele clara, olhos castanhos claros, altura aproximada entre 1,60m e 1,65m, rosto arredondado e cabelos castanhos. O outro seria negro, rosto em formato oval, com altura de 1,70m e cabelos curtos escuros. A Polícia Civil do Pará afirma que as características dos retratos falados descrevem entre 90% e 70% dos rostos dos suspeitos. 
 Foto: Divulgação/Polícia do Pará
O retrato falado dos suspeitos pela morte do casal de extrativistas no Pará
A polícia paraense já ouviu 32 pessoas no inquérito que apura o duplo assassinato. Os responsáveis pela investigação, o delegado José Humberto de Melo Júnior, da Delegacia de Combate aos Crimes Agrários (DECA), e o delegado-adjunto geral da Polícia Civil, Rilmar Firmino de Sousa, estão tendo dificuldades porque algumas pessoas ouvidas tinham medo de dar maiores detalhes do crime.
 Foto: Divulgação
José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assassinados no sul do Pará

Além disso, os delegados afirmam que os dois homens podem ter fugido pelo rio Tocantins instantes após o homicídio - o que significa que eles podem ter viajado para o norte de Mato Grosso, por exemplo. O inquérito aponta que os dois suspeitos foram vistos por volta das 5h30 nas proximidades do assentamento Agroextrativista Praialta Piranheira e três horas depois seguindo pelo rio Tocantins.

Segundo os delegados responsáveis pelo inquérito, a intenção com a divulgação dos retratos falados é aumentar o número de denúncias sobre o paradeiro dos dois suspeitos. Nesse momento do inquérito, a linha de investigação da polícia aponta para a confirmação de que o assassinato dos líderes extrativistas foi fruto de um conflito agrário em Nova Ipixuna.

“A polícia continua trabalhando na apuração desse crime. Queremos dizer que nosso trabalho está baseado em depoimentos de testemunhas. Não estamos criando resultados, estamos dando uma resposta oficial de apuração de fatos”, disse Rilmar Sousa por meio da assessoria de imprensa do estado do Pará.

“Com a divulgação dos retratos esperamos quebrar o silêncio e conseguir a colaboração das pessoas, seja de forma direta, indo à delegacia, ou por meio do telefone 181. A ligação é sigilosa”, afirma José Humberto de Melo Júnior, também por meio da assessoria de imprensa paraense.

Nesta terça-feira, homens da Força Nacional, da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) chegaram à região norte para realizar ações de combate aos crimes no campo. Na tarde desta terça-feira, estava prevista a chegada de uma equipe a Marabá, que então irá se deslocar para Nova Ipixuna, onde ocorreu o assassinato do casal de extrativistas. No Pará, segundo informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT), existem pelo menos 30 pessoas marcadas para morrer em função dos conflitos agrários na região.

Wilson Lima, iG Maranhão

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