terça-feira, 29 de outubro de 2013

Estudiosos explicam os principais fatores de risco e como evitar o AVC, confira

Especialista também dá dicas sobre o que fazer quando alguém estiver sofrendo do distúrbio.
 Foto: Morguefile / Divulgação

No Brasil, ocorrem cerca de 100 mil mortes por ano por causa do AVC.
Estima-se que uma a cada seis pessoas terá um Acidente Vascular Cerebral (AVC), problema extremamente comum que pode levar à morte ou causar sequelas neurológicas permanentes.

No Brasil, a cada cinco minutos, alguém morre da doença — o que contabiliza cerca de 100 mil mortes por ano. Além de todas as vidas perdidas, ela representa também a principal causa de incapacidade irreversível, com profundos impactos físicos, psíquicos e financeiros, envolvendo não só o paciente, mas também seus familiares.

Segundo o neurologista Leandro Teles, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), o AVC é um evento neurológico repentino e, dependendo do tamanho, localização e contexto clínico, pode trazer prejuízo definitivo na vida do paciente.

— Ele é fruto de um contexto favorável à oclusão de um vaso (isquemia) ou um sangramento (hemorragia). Por isso, temos que gerenciar esse contexto, investindo em prevenção, reconhecimento precoce dos sintomas e tratamento imediato — explica Teles.

De acordo com o especialista, o AVC é dividido em isquêmico, que é o mais comum, correspondendo a cerca de 80% dos casos, em que ocorre uma interrupção do sangue dentro de uma artéria que nutre uma parte do cérebro; e o hemorrágico, em que ocorre ruptura de um vaso dentro ou ao redor do cérebro, causando estrago e disfunção de determinada região.

Teles explica que existem fatores de risco modificáveis e não modificáveis para o transtorno. Não podemos, por exemplo, mudar nosso código genético, sexo biológico e nem a idade. Pessoas acima dos 55 anos e com histórico familiar para AVC sempre terão um pouco mais de risco. Podemos, entretanto, controlar o peso, ter uma dieta saudável, evitar o tabagismo e controlar doenças clínicas que levam ao AVC, como diabetes, colesterol alto, hipertensão arterial, arritmias e insuficiência cardíaca.

O especialiasta recomenda que, para evitar o distúrbio, as pessoas façam atividade aeróbica regular, mantenham o Índice de Massa Corpórea (IMC) entre 20 e 25, alimentem-se de forma balanceada e saudável e pesquisem e busquem tratamento para todas as doenças que possam comprometer o aparelho circulatório, já que muitas delas são silenciosas e aparecem em checkups.

Sintomas do AVC

Fique atento para os cinco sinais abaixo:

1- Dificuldade para falar ou compreender o que as pessoas dizem

2- Fraqueza ou paralisia de um dos lados do corpo

3- Boca torta para um dos lados

4- Falta de sensibilidade ou formigamento mantido em um lado do corpo

5- Visão alterada agudamente (segue com perda de campo visual ou visão dupla)

Além dos sintomas principais, também pode ocorrer dor de cabeça forte e súbita (principalmente hemorragias), vômitos, tontura que não passa, desequilíbrio e dificuldade para engolir.

O neurologista ensina um teste simples para fazer com quem está com suspeita de AVC

1- Peça que a pessoa sorria com força e observe a simetria

2- Peça que levante ambos os braços e os mantenha alinhados e observe se ocorre queda

3- Peça que responda a uma pergunta, e veja se ocorre alteração do discurso ou da voz

Em caso de alteração ou dúvida, siga as recomendações abaixo

1- Mantenha a calma e a tranquilidade diante do paciente, mas aja com firmeza e rapidez. Não espere o sintoma passar. O AVC trata-se de uma emergência médica, o que faz com que o tratamento nas primeiras três horas do evento tenha resultados melhores

2- Acione o serviço de resgate imediatamente

3- Se possível, o paciente deve ser conduzido para um hospital com recursos, como tomografia computadorizada, Unidade de Terapia Intensiva e neurologista

4- Não dê Ácido Acetil Salicílico (AAS) ao paciente. Esse é um erro muito comum
5- Não reduza a pressão do paciente por conta própria. Durante um AVC, é comum a pressão estar alta e isso pode ser útil para irrigar a área em sofrimento. Por isso, os índices aceitáveis de pressão são bem maiores na fase aguda de um AVC (sendo diferentes entre o isquêmico e o hemorrágico).

6- Se o paciente for diabético e usar medicamentos ou insulina, se possível, avalie a taxa de açúcar no sangue com o aparelho de glicemia capilar. A glicose muito baixa no sangue pode simular um AVC e precisa ser revertida o quanto antes para não deixar sequelas.

7- Leve ao pronto socorro as receitas ou os medicamentos que o paciente faz uso regular e, se possível, relatórios e exames recentes. Tudo isso é fundamental para tomar as decisão durante a emergência.
Do Z H

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