terça-feira, 12 de novembro de 2013

O engodo do gás

José Reinaldo Tavares

Ao contrário da propaganda oficial, a inauguração de uma termoelétrica em Capinzal mostra mais uma vez o grande distanciamento entre o governo e os reais interesses da sociedade maranhense. Esse empreendimento do empresário Eike Batista, grande amigo e financiador das eleições da família Sarney, nunca deveria ter sido aceito, tal como concebido pelo empresário. Mas Batista era muito poderoso e o governo nunca teve política nenhuma de desenvolvimento. O empresário fez o que quis e empurrou garganta abaixo da população da capital uma termoelétrica a carvão, altamente poluidora, em plena São Luís.

Uma aberração ecológica.
O Maranhão tem energia elétrica abundante. É servido pelos sistemas de Tucuruí, Chesf, incluindo Boa Esperança, e Estreito. Não precisa de termoelétricas nem a carvão, nem a gás, nem a óleo. O Maranhão precisa é do gás. Sabem por quê? A energia de Capinzal será vendida para a Eletronorte e incorporada ao sistema energético nacional e então revendida aos consumidores de outros estados pelas tarifas de mercado. Nem o ICMS ficará aqui.

Será cobrado no estado em que consumir a energia. E onde está o prejuízo do Maranhão? O nosso estado é um dos poucos que não tem gás disponível para atender o consumo industrial, que é um poderoso atrativo para trazer empresas e criar empregos aqui, pois o custo dessa energia é mais baixo. O porto do Itaqui precisa muito de energia barata para realmente se transformar em um poderosíssimo indutor de desenvolvimento, como já poderia ser.

Quando fui governador, com a ajuda fundamental da ministra Dilma Rousseff, ela reservou recursos para trazer o gasoduto desde Pecém no Ceará até o Itaqui, passando por Teresina. Projeto pronto, não foi executado, porque as termoelétricas já construídas devido ao racionamento ocorrido no governo Fernando Henrique tinham por contrato uma reserva de gás permanentemente disponível para elas, mesmo que não estivessem funcionando naquele momento.

Como o gasoduto entre Santos e Salvador ainda não existia, o projeto não pôde ser executado, pois só o gás produzido no nordeste não atenderia a esse acréscimo de consumo. Hoje o gasoduto já existe, mas o governo do Maranhão não tem o menor interesse em sua execução. Abandonou um projeto fundamental ao nosso desenvolvimento.

Naquela ocasião, criamos a Gasmar com o objetivo de distribuir o gás maranhense para as indústrias, para os táxis e para o transporte coletivo. Está na Lei.

Eike Batista e o governo do estado não deram a menor bola para a Gasmar, não passaram o gás para ela e o poderoso empresário usou o gás como se fosse dele e, sem objeções legais do governo, não olhou para os interesses do estado e fez o que era melhor para ele, não para o Maranhão. Transformou em energia elétrica – que não precisamos – para vender a preço alto para o governo federal. Um negócio de grande lucratividade para o empresário queridinho da família.

E o Maranhão? Que se lixe, deve pensar a governadora. Não está nem aí!
Enquanto isso, o Brasil importa gás da Bolívia e da Argentina para as empresas em quase todo o país e leva-o até ao nordeste, canalizado até Fortaleza. Nesse ínterim, o Maranhão fica de fora e cada vez mais atrasado.

Na inauguração do imbróglio, com pompa e circunstância, vão todos para lá como se estivessem proporcionando um grande benefício ao nosso tão espoliado estado. Um acinte. Viraram as costas para o desenvolvimento do Maranhão.

Pois bem, só para ficar no assunto “desenvolvimento”, Ciro Gomes, que governa o Ceará indiretamente junto com o irmão Cid, e é amigo da presidente Dilma, nem assim se deixa enganar. Respondendo à pergunta feita em uma palestra que proferiu em São Luís sobre a refinaria Premium do Maranhão, e consequentemente sobre a do Ceará, ele não deixou nenhuma dúvida sobre o que pensa, ele que é muito bem informado.

Sobre isso, mais uma vez ficou claro que a refinaria está fora da realidade da Petrobras, aliás, nunca esteve, como falou Sérgio Gabrielle – que então presidia a estatal – na Câmara dos Deputados. Era apenas um factoide político para eleger Roseana Sarney como governadora do estado e, de quebra, os senadores.

Foi fundamental em uma eleição fraudada pelo poder econômico e político, provado que está na ação de perda de diploma interposta por mim contra Roseana Sarney. Mesmo assim, ganhou por escassos 2000 votos, pois com a mentira da refinaria, teve mais de 40 por cento de votos em São Luís, 7 por cento acima da sua média na capital.

Agora, com nova eleição se aproximando, vêm de novo com o mesmo tema. Ciro, embora interessadíssimo, não esconde a verdade. E Roseana? Essa não fala nada e, como sempre, se ausenta da verdade. Quer na verdade é jogar o problema para Edison Lobão, ministro de Minas e Energia.

E para concluir, onde vamos parar com o total descontrole na mais do que sensível área da segurança?
Além da criminalidade desenfreada, com mais de cem assassinatos a cada mês, agora os bandidos extrapolam e atacam os policiais nos trailers que antes asseguravam proteção às famílias, além de  atacarem as delegacias. Um policial foi morto e outro foi baleado, ônibus foram saqueados e incendiados, em uma escalada do crime sem precedentes no estado. A governadora, protegida por quase duzentos policiais, nem se importa. Encastelada no Palácio dos Leões, não dá uma palavra.

Será que ela está com problemas nas cordas vocais ou é assim mesmo?
Deus nos proteja!

Blog do Ricardo Santos

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