sábado, 30 de novembro de 2013

Para tentar conciliar disputas regionais PMDB reúne-se com Lula e Dilma

Encontro neste sábado, em Brasília, tentará equacionar divisões em palanques regionais; PMDB demanda posto de vice em Minas e pode abrir mão de lançar Pezão no Rio. Embora o Maranhão não esteja na agenda mas o imbróglio é grande. 

Senador Valdir Raupp (RO)

A cúpula do PMDB reúne-se neste sábado com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff para tratar de palanques regionais nas eleições de 2014. O encontro acontece na Granja do Torto, em Brasília. Será a primeira vez que um número maior de integrantes do alto comando peemedebista senta-se para uma conversa com Lula e Dilma, além do presidente do PT, Rui Falcão, e o ministro Aloizio Mercadante (Educação).

Se em encontros anteriores os acordos regionais foram analisados principalmente com o vice-presidente Michel Temer, desta vez a conversa incluirá o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), e os presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL), e da Câmara Henrique Eduardo Alves (RN).

Entre os temas em pauta, está o pedido do PMDB para ocupar a vice na chapa do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) na corrida eleitoral de Minas Gerais. O nome peemedebista para o posto é o do senador Clésio Andrade.

Já Lula tentará um acordo de paz com para o Rio de Janeiro, onde o senador Lindbergh Farias (PT) será candidato. O ex-presidente incluiu um pedido ao comando petista no Rio para adiar o desembarque do governo de Sérgio Cabral, agendado para este sábado. O objetivo foi ganhar tempo para negociar com o PMDB sem um clima pesado influenciado pela ação fluminense no momento da reunião.

A entrega dos cargos petistas na administração peemedebista é tida como ponto chave para Lindbergh consolidar o apoio de seu partido, o que Lula lhe garantiu em conversa por telefone na quinta-feira.
Lula deve se aproveitar do fato de o PMDB começar a considerar vantajoso negociar uma saída honrosa para não ser totalmente apeado da administração fluminense, no caso de uma eventual chegada de Lindbergh Farias (PT) ao Palácio Guanabara.
Isso porque, o comando peemedebista pode abrir mão da candidatura de Luiz Fernando Pezão para a disputa à sucessão de Cabral. A avaliação da liderança do PMDB é de que a queda na popularidade do governador é irreversível e isso deve limitar o crescimento de Pezão nas intenções de voto, como verificado em pesquisas internas encomendadas ao Ibope.

Tensão no Nordeste
Outros palanques ainda sem acordos são Alagoas e Ceará. Em Alagoas, a pressão é para o PT apoiar ao governo local o deputado federal Renan Filho. O Palácio do Planalto está disposto a apoiar Renan pai e, caso o presidente do Senado desista, Benedito de Lira (PP). Renan pretende buscar a reeleição para seguir no comando do Senado, decisão que desagrada ao PT, que pretender ocupar a presidência da principal Casa do Congresso a partir de 2015.

No Ceará, o PMDB pretende indicar Eunício Oliveira ao governo. A executiva nacional do PT não tem um nome próximo para apoiar, enquanto o diretório cearense pode insistir na ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, desafeto do governador Cid Gomes (PROS), aliado do Planalto.

O ex-ministro Ciro Gomes (PROS) não deve disputar a sucessão do irmão. Cid não cogita apoiar Eunício e uma mudança de posição pode custar um bom ministério para o PROS na reforma ministerial prevista para janeiro. Na reunião deste sábado, o PMDB deve pressionar para que o PT ceda um lugar na primeira fila do governo para os irmãos Gomes na reforma em troca da candidatura de Eunício.

Maranhão
Embora a reunião não tenha incluído o senador José Sarney, o encontro pode abordar também a situação no Maranhão, onde a executiva nacional do PT estuda intervir no diretório para manter o apoio à sucessão da governadora Roseana Sarney. A ação ocorre após o candidato de oposição nas eleições internas do PT, Henrique Souza, derrotar o atual presidente da legenda, Raimundo Monteiro. Souza é opositor da família Sarney e tenta levar o partido a apoiar Flávio Dino (PCdoB).

A cúpula do PMDB pressionará Lula e Dilma para uma solução no Maranhão, onde havia acordo para nomear o vice-governador Washington Oliveira (PT) como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), no lugar de Yêdo Lobão, primo do ministro Edison Lobão (PMDB).

Oliveira renunciaria ao posto de vice, abrindo espaço para o presidente da Assembleia Legislativa, Arnaldo Melo (PMDB), assumir temporariamente o governo para a Roseana disputar o Senado. Melo disputaria o governo contra Dino, líder nas pesquisas de intenção de voto.

A nomeação de Oliveira para TCE foi decidida na última quinta-feira (28), após eleição realizada na Assembleia Legislativa – decisão que desagradou ao sindicato dos auditores do tribunal (SINDAECEMA), que, em nota, classificou a escolha de “atraso institucional e o coronelismo político reinante”.

A Justiça do Maranhão suspendeu a indicação de Oliveira, após ação impetrada pelo deputado Domingos Dutra (SDD). O juiz responsável considerou pequeno o prazo de apenas um dia entre a inscrição oficial da candidatura de Oliveira ao TCE e sua eleição pela Assembleia. O vice deve recorrer.

Enquanto aguarda um posicionamento final da Justiça, Sarney deixará a negociação do apoio do PT nas mãos do vice-presidente Michel Temer, destacado como “advogado dos interesses do partido”, segundo um interlocutor peemedebista.

Do IG

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