sábado, 7 de dezembro de 2013

Educação no Brasil, muito dinheiro sem resultado, diz diretor do PISA/OCDE

Alunos em ambiente escolar

Responsável pelo Pisa diz, porém, que investimento atual é suficiente para obter melhores resultados 

O Brasil precisa investir mais em educação, mas, com o dinheiro que gasta atualmente, poderia obter resultados melhores. É o que disse nesta sexta-feira o responsável pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), Andreas Schleicher, que é diretor-adjunto de Educação e Competências da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

- Há espaço para melhoria, mas gastar mais dinheiro faria diferença. Para um país como o Brasil, mais dinheiro pode fazer uma grande diferença – disse Schleicher, ao visitar a nova sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação.

A OCDE é formada majoritariamente por países desenvolvidos, embora nações como o México também façam parte da entidade.

Segundo Schleicher, o custo mínimo para oferecer ensino de qualidade a um aluno dos 6 aos 15 anos é de US$ 50 mil, o equivalente a R$ 116 mil por estudante, numa década. Acima desse valor, afirmou Schleicher, mais dinheiro não faz diferença, isto é, não garante maior aprendizagem. Abaixo, porém, faz falta. E é nesse grupo debaixo que o Brasil está.

- Dinheiro faz diferença, mas só até um ponto – afirmou o diretor-adjunto da OCDE.

De acordo com o presidente do Inep, Luiz Claudio Costa, o gasto total por aluno no Brasil, dos 6 aos 15 anos, gira em torno de US$ 25 mil ou R$ 58 mil. Ou seja, metade do preconizado pelo diretor da OCDE, entidade que aplica o Pisa em 65 países e territórios.

Por outro lado, Schleicher disse que os estudantes brasileiros poderiam ter um nível de conhecimento em matemática próximo ao de países desenvolvidos, sem gastar mais. Para isso, observou ele, bastaria acabar com o atraso escolar, a chamada distorção idade-série, que é provocada pelos altos índices de reprovação e abandono.

Na última edição do Pisa, em 2012, os estudantes brasileiros de 15 anos obtiveram a nota média de 391 pontos na prova de matemática. Segundo Schleicher, porém, a média brasileira subiria para 460 pontos, caso o país não tivesse alunos defasados. Essa pontuação deixaria o Brasil em 42.º lugar no ranking, atrás de Israel (466) e à frente da Grécia (453). O Brasil aparece na 58.ª posição do Pisa 2012.

Luiz Claudio, que concedeu entrevista ao lado de Schleicher, disse que quase um terço dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos apresentam defasagem idade-série, ou seja, estão matriculados em séries anteriores à que deveriam estar cursando, caso não tivessem sido reprovados. Ele lembrou que, dez anos atrás, esse percentual era bem maior, girando em torno de 50%.

Luiz Claudio ponderou também que o Brasil não só gasta menos do que o preconizado pela OCDE, como também vem incluindo jovens que estavam fora da escola, o que aumenta as despesas. De acordo com o Inep, cerca de 420 mil novos alunos foram incorporados às salas de aula brasileiras no período de 2003 a 2012.

Ao comentar os resultados do Pisa 2012 nesta semana, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, destacou que a nota brasileira em matemática subiu de 356 para 391, entre 2003 e 2012. Foi o maior avanço de um país no Pisa. A média da OCDE é de 494 pontos. Schleicher disse que cada 40 pontos na escala do Pisa correspondem a um ano letivo. Assim, a distância dos alunos brasileiros para os da OCDE equivalem a uma defasagem superior a dois anos escolares e meio.

- Apesar do avanço, o Brasil ainda não está bem. Tem espaço para melhorar – disse Schleicher.

O diretor da OCDE afirmou também que o ensino de matemática no Brasil é defasado, diferentemente do que ocorre na Ásia:

- A educação de matemática no Brasil não põe foco na educação conceitual – disse Schleicher, afirmando que o alunos brasileiros aprendem apenas a reproduzir fórmulas ensinadas pelo professor.

Do Blog do Garrone

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