segunda-feira, 28 de abril de 2014

Mais um gesto. Dep. Domingos Dutra

Deputado federal Domingos Dutra

Considero importante iniciar dizendo que não tenho antecessor nem patrono político. Parido no quilombo Saco das Almas, filho de lavrador e mãe quebradeira de coco babaçu. Chequei onde estou abrindo aceiros e picadas com unhas e dentes nesta selva maluca que é a política. Graça à proteção de Deus e da vovó de Jesus, Nossa Senhora de Santana, minha madrinha de batismo e padroeira de BURITI DE INÁCIA VAZ, onde nasci, posso dizer que escapei!

Sou uma das poucas lideranças políticas que nunca fui e nem vim da Casa Grande. Nunca trastejei no combate à oligarquia. Nos 36 anos de militância política fiz diversos gestos de sacrifícios e humildade para unir a oposição maranhense.

Em 1996, renunciei a um exitoso mandato de deputado federal para ajudar Jackson Lago a ser prefeito de São Luís, sendo seu vice. De quebra, entreguei o mandato de deputado federal para Neiva Moreira. Naquela eleição todas as lideranças nacionais do PT, de Lula a Benedita da Silva pousaram em São Luís. Se ao invés de vice de Jackson eu tivesse sido candidato a prefeito pelo PT, talvez, o eleito teria sido João Castelo, com Juarez Medeiros de Vice. Hoje a historia poderia ser outra, Já que a eleição de Jackson para prefeito de São Luís naquele ano o manteve no cenário político do estado, sendo decisiva para sua eleição de governador em 2006.

Em 2000, rompi com Jackson em face da aliança que fez com o PFL da então governadora Roseana Sarney para a sua reeleição a prefeito de São Luís. Fui candidato a vereador, combatendo e enfrentando a popularidade dos dois. Não me elegi. Jackson brindou com champanhe a minha derrota. Apesar disto, dez anos depois, em 2006, no segundo turno, eleito deputado federal na chapa de Vidigal, e como presidente estadual do PT, apoiei Jackson Lago governador, enfrentando o presidente Lula, que em Timon declarou apoio a Roseana Sarney.

Se não estivéssemos na presidência do PT, juntamente com Lobato, Franklin Douglas, Márcio Jardim, Sílvio Bembem, Jomar Fernandes, Teresinha Fernandes, Valdinar Barros, Nonato de Alcântara, Salvador Fernandes, Chico Gonçalves, Pereira, Manoel da Conceição, Dada, Dutra e Dalva de Caxias e centenas de outras petistas, LULA por certo teria pousado em São Luís e em Imperatriz, colégios eleitorais que decidiram a vitória de Jackson e ai, por certo, hoje a história seria outra.

Em 2010, eu, Manoel da Conceição e Teresinha Fernandes fizemos greve de fome durante 10 dias no Plenário da Câmara Federal em defesa da candidatura de Flávio Dino e em protesto à intervenção violenta e ilegal que entregou o PT para Oligarquia. Enfrentei a República e a máquina dos governos federal e estadual. Reelegi-me deputado federal andando a pé 482 quilômetros, em 82 municípios, cantando a musica vamos vencer o Futi. Venci!

Em 2013, com o coração partido e a alma dilacerada, interrompi 33 anos e oito meses de história no PT, partido que dedique a minha juventude e corri risco de vida para em liberdade ajudar na eleição de Flávio Dino.

Agora em 2014, apesar de bem posicionado nas pesquisas e com amplas possibilidades de vitória, retirei a minha pré-candidatura ao Senado em favor de Roberto Rocha. Fiz mais este gesto para consolidar a unidade dos partidos e movimentos de oposição, condição indispensável à vitória de Flavio Dino, governador.

O Maranhão chegou ao fundo do poço. Somos o único estado controlado por uma ditadura civil e familiar. O chefe da oligarquia que só não disputou o cargo de Papa porque o Vaticano não é no Brasil, exerceu os postos mais importantes da politica brasileira, usando o poder que acumulou para transformar o Maranhão no Estado mais pobre do Brasil. A oligarquia internacionalizou o Maranhão pelas mazelas e tragédias das casas de palha, de pessoas bebendo água de cacimba, carregando sua produção nas costas de jegue, pescando com jequi e enterrando os entes queridos em cova rasa.

É questão de responsabilidade política e de amor aos milhões de maranhenses que ainda vivem na luz da lamparina não repetir os erros do passado como em 2002 e 2010, em que deixamos de eleger o governador e o senador por birra dos líderes da oposição.

No pleito de 2014 não há espaço para aventuras, vaidades e muito menos para projetos e fuxicos de natureza pessoal.

Flávio Dino não é um salvador da pátria, porém é a opção que temos. A sua história pessoal e política revela que não fará igual à oligarquia. A eleição de Flávio Dino completará a transição política que não pode ser concluída por Jackson Lago, em face da cassação injusta. Esta transição é fundamental para recolocar o Maranhão no mapa do Brasil, oxigenando os espaços de poder e abrindo oportunidades para novas gerações.

Com meu gesto de desprendimento, criaram-se as condições políticas para transformar as eleições de 2014 em um plebiscito, em que de um lado haverá as forças do atraso lideradas pelo Futi e de outro, partidos, movimentos e cidadãos que querem libertar o Maranhão da besta fera.

A bola agora está com os camaradas Flávio Dino e Roberto Rocha. Que sejam humildes, transparentes e capazes de unir partidos e sociedade, pois somente a mais ampla unidade será capaz de garantir a alternância de poder que o povo maranhense precisa.Amém!

Artigo publicado no Jornal Pequeno, na edição de 27 de abril de 2014)
Advogado e deputado federal

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