segunda-feira, 6 de março de 2017

O desemprego no Brasil é de norte a sul, Fronteiras, Piauí: 11 mil habitantes, 500 desempregados, só hoje

A cidade de Fronteiras, no Piauí, junto à divisa com Ceará e Pernambuco, era naquele pobre estado nordestino, o segundo maior PIB per capita.

A riqueza da cidade, se fosse dividida pelos seus pouco mais de 11 mil habitantes, daria, em 2014, segundo o IBGE era de perto de R$ 20 mil reais.
Os empregos na cidade eram, naquele ano, 1.365, pagando, em média 2,4 salários mínimos.

Eram, bem entendido.
Porque hoje, 480 das pessoas empregadas em Fronteiras, já não estão mais.
A Fábrica de Cimento Itapissuma, do Grupo Nassau, fechou as portas e mandou todos os seus trabalhadores para o olho da rua.

Todos, de uma só vez.
Nada menos que 35% de todos os trabalhadores do municípios que, somados aos 200 que já havia demitidos há 15 dias.

O que faz, em 15 dias, que a taxa de desemprego de Fronteiras, o desemprego – se ninguém mais tiver sendo demitido, o que é impossível diante da dependência de uma pequena cidade diante de uma grande empresa – tenha atingido a inacreditável taxa de 50%.

O resto não está desempregado porque segue no eito, brigando contra a seca.
Mas nas vendas da cidade não vai haver mais quem compre o feijão que sai dos roçados.

No comunicado em que a empresa os atira na rua, fala-se em queda de 80% nas vendas de cimento.

O cimento, por suas características de logística é consumido na região Nordeste e não é preciso muito para imaginar o que acontece por lá na construção civil, que multiplica aos milhares do 480 sem-futuro de Fronteiras.

São, como diz o ministro Henrique Meirelles, os “sinais inequívocos da retomada econômica”.

Do Tijolaço, por Fernando Brito

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