terça-feira, 23 de maio de 2017

Braço direito de Janot, o procurador Marcelo Miller sai do MPF e vai advogar para o açougue JBS


 Rodrigo Janot
Marcelo Miller era um dos integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato e considerado um dos principais braços-diretos do procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Deixou o grupo e, pouco tempo depois, o ex-procurador foi para a área privada. Mas não qualquer uma: começou a trabalhar no escritório de advocacia da JBS, empresa que trouxe as recentes bombas contra Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG). 

Miller deixou o Ministério Público Federal (MPF) ainda em março, pouco antes da conversa entre o empresário dono do grupo, Joesley Batista, e o presidente da República. Segundo informações de Vera Magalhães, no Estadão, a decisão "pegou a todos no MPF de surpresa".

O ex-procurador da República passou, então, a atuar no escritório Trench, Rossi & Watanabe Advogados, do Rio de Janeiro. Justamente o escritório que foi contratado pela JBS para negociar o acordo de leniência junto ao MPF, na área cível. A leniência é um complemento à delação dos executivos da empresa, que já foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em resposta, a Procuradoria afirmou que Miller não participou da negociação da delação e que ele não poderá atuar nos acordos fechados com o MPF. O acordo de leniência ainda está sendo negociado pela JBS, tanto no Brasil, quanto no exterior.

O então procurador havia sido convocado por Rodrigo Janot em 2013, para integrar o núcleo duro do GT da Lava Jato, no âmbito do Supremo. Especialista em direito penal e internacional, Marcelo Miller também é ex-diplomata do Itamaraty.

Se, desta vez, a PGR considera que não há conflitos, por outro lado, o procurador atuou diretamente em casos de acordos de colaboração de peso anteriormente. Ele esteve à frente, por exemplo, das delações de Delcídio do Amaral, ex-senador, e do ex-diretor da Transpetro, Sérgio Machado. Em ambos casos, a metodologia de coleta de provas foi similar: a gravação de áudios sem o conhecimento do investigado.

Do GGN

0 comentários:

Postar um comentário