quinta-feira, 29 de junho de 2017

Ex-advogado da JBS revela em carta armação da lava jato


Preso por suspeita de obstrução de Justiça, o advogado Willer Tomaz enviou uma carta à Folha de S. Paulo relatando a "armação" de Joesley Batista, da JBS, para produzir provas e fechar um acordo de delação premiada com a Lava Jato. 

"Me deparei com a absurda armadilha engendrara pelos delatores Joesley e Francisco que, desvirtuando os fatos ocorridos, rifaram a mim e ao procurador Angelo como moeda de troca para obterem premiadíssimos benefícios de colaboração", escreveu o advogado.

Folha não divulgou a íntegra da carta de Willer, mas destacou trechos que ajudam o advogado a colocar em xeque a legalidade da delação - situação que interessa ao governo Michel Temer, também delatado por Joesley.

Segundo o jornal, Willer acusa Joesley e o diretor da JBS Francisco Assis e Silva de terem preparado uma "armadilha" para entregar o advogado e um procurador da República à Lava Jato, em troca da delação. 

O procudador é Angelo Goulart Villela, que também tem negado os crimes imputados a ele pela força-tarefa, e promete falar a respeito à CPI da JBS, na Câmara.

Na carta, Willer nega que tenha repassado ao procurador, que também está preso, cerca de R$ 50 mil, como acusam os delatores.

O advogado admite, contudo, que recebeu do procurador uma gravação da delação premiada do empresário Mário Celso Lopes e mostrou a Joesley. A cena em que o sócio da JBS toma conhecimento da delação foi gravada por ele e entregue como prova de que Willer e o procurador vazaram informação da operação Greenfield.

Mário é ex-sócio e inimigo da JBS e, de acordo com Willer, o procurador só entregou a fita do depoimento para mostra que Joesley deveria pensar em fazer uma delação premiada também. O advogado disse à Folha que esse modus operandi é praxe na Lava Jato, ou seja, outros procuradores teriam mostrado depoimentos a empresários investigados como modo de coagi-los a delatar.

Folha disse que teve acesso à gravação, na qual Mário e procurador da Lava Jato negociam o que o empresário iria receber em troca de denunciar os ilícitos da JBS.

"Tomaz contesta a versão dos delatores. Diz que não há prova a corroborar o repasse de propina [ao procurador], que não tentou poupar ninguém de delação e que, ao contrário do que afirmou Janot, ele próprio intermediava uma conversa entre Villela [o procurador] e a JBS com vistas a fecharem delação", publicou.

Willer dá a seguinte explicação para Joesley ter escolhido entregar o procurador: isso agradaria Janot porque Villela supostamente defendia a escolha de Raquel Dodge para a Procuradoria Geral da República.

O advogado ainda disse que foi incentivado pela JBS a procurador Villela para negociar a delação da empresa sobre possível corrupção envolvendo a Eldorado Celulose e o FI-FGTS.

Nesta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes questionou as condições em que as provas da JBS foram colhidas. Ele referia-se especialmente à gravação de Joesley com Temer, onde o presidente aparece possivelmente dando aval à compra de silêncio de Eduardo Cunha.

Na mesma gravação, Joesley diz a Temer que tem conseguido frear as investigações contra a JBS com a ajuda de um juiz e um membro do Ministério Público.

Do GGN

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