sábado, 1 de julho de 2017

A greve nacional foi uma vitória contra o retrocesso, diz o presidente da CUT Vagner Freitas

O presidente da CUT, Vagner Freitas, considera os atos desta sexta-feira (30) uma preparação para um movimento ainda maior, que pode superar a greve geral de 28 de abril. Nesse sentido, o dia de hoje significa uma "vitória nesse processo de construção do enfrentamento para impedir o retrocesso", avalia, em entrevista na tarde de hoje à Rádio Brasil Atual. O desafio está na pressão sobre o Congresso, que, segundo Vagner, "está à revelia da sociedade", na medida em que protege o presidente e tenta implementar reformas que retiram direitos. "Vibes (vibrações) diferentes", afirma.

"O governo Temer não existe. Nas ruas, na política econômica, na política social, na política internacional... Temer só existe no Congresso Nacional. Acho que tem deputado e senador que vai querer morrer abraçado com ele", critica Vagner, revelando uma súbita mudança de cenário na votação do relatório do projeto de "reforma" trabalhista (PLC 38) durante a sessão da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, na última quarta-feira (28). "Em determinado momento, a gente tinha maioria, tinha os 14 votos necessários." O relatório governista acabou aprovado por 16 a 9.

Ele avalia que a resistência da sociedade evitou a consumação do golpe, depois da queda da presidenta Dilma Rousseff. "Na cabeça deles já era pra ter sido confirmado, com a prisão de Lula, cassação de partidos de esquerda e as reformas. Não estão conseguindo fechar. Estamos vivendo um processo de retomada do movimento social", diz Vagner, acrescentando que já existe mudança de "humor" na opinião pública.

O dirigente lembra que a CUT criou um site (Na Pressão) para aumentar a cobrança sobre os parlamentares. Segundo ele, o texto atual do PLC 38 tem origem no setor empresarial. "Se aprovarem a reforma trabalhista do jeito que está, acabam com o emprego com carteira assinada", diz. Segundo Vagner, a aprovação dessa reforma tornaria, inclusive, desnecessário implementar a da Previdência.

"Automaticamente, a aposentadoria acaba, porque você não vai ter novos trabalhadores ingressando no sistema para que ela (a Previdência) fique viva. O trabalhador não vai ter contrato formal", afirma, citando a proposta de trabalho intermitente. "A empresa, quando precisar do seu trabalho, ela te chama. Então, você não sabe quanto ganha nem quantas horas vai trabalhar por mês." Como comprovar renda para abrir um crediário, por exemplo?, questiona.

Várias categorias fizeram paralisações durante o dia, atingindo diversos estados, destacou o presidente da CUT. "Hoje é um esquenta, no nosso junho de lutas."

Leia texto publicado hoje por Vagner Freitas:

O embate entre o capital e o trabalho é um processo de luta que exige organização, mobilização e capacidade de resistência como qualquer luta de classe.

Só a luta garante.

E, como eu costumo dizer, lutar sempre surte efeito, às vezes, não tão rápido como todos nós gostaríamos. O resultado nem sempre vem de uma vez só, tem de ser construído no dia a dia, nas mobilizações, na resistência, na pressão, nas ruas e no Congresso Nacional.

É importante lembrar que com luta e resistência conseguimos impedir a conclusão do golpe. É isso mesmo. O projeto dos golpistas era destruir o legado e as conquistas dos /as trabalhadores/as, construídas e implantadas nos últimos 13 anos; e, também, acabar rapidamente com os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários.

Nós resistimos, lutamos, impedimos que as reformas Trabalhista e Previdenciária fossem aprovadas no primeiro trimestre deste ano, como os golpistas queriam. Estamos acumulando forças para que qualquer decisão tomada no futuro contra os/as trabalhadores/as seja revertida e, juntos, possamos construir um país com justiça e inclusão social, emprego decente, ensino e saúde de qualidade, enfim, com oportunidades iguais para todos e todas.

A greve desta sexta-feira, 30 de junho, é mais um passo na construção da resistência e da luta por um futuro melhor para todos.

Em 6 de julho, dia em que o Senado vota no plenário a reforma Trabalhista, vamos mais uma vez ocupar Brasília contra o desmonte da CLT, do fim do emprego formal, do direito a férias, 13º e carteira assinada.

Nosso papel é lutar, resistir.

E é isso que estamos fazendo cada vez mais desde o fim de 2014, quando parte da mídia e do Judiciário se uniu ao candidato derrotado nas eleições presidenciais e seus aliados conservadores para dar um Golpe de Estado. Sabíamos desde então que o golpe era para acabar com o projeto de distribuição de renda e inclusão social, contra o Brasil, contra a democracia e contra a classe trabalhadora. O projeto dos golpistas é acabar com a soberania nacional, entregar o petróleo e as nossas terras para as multinacionais.

E a nossa resistência surtiu efeito.

Mobilizamos a classe trabalhadora, os movimentos populares e entidades sindicais de todo o mundo, denunciamos os ataques contra os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, além do ataque contra a democracia no Brasil e impedimos que o golpe se concretizasse como eles pretendiam.

Foi a nossa luta que levou a opinião pública a refletir sobre os reais objetivos do golpista e ilegítimo Temer. Os meios de comunicação, que manipularam as informações e enganaram o povo dizendo que com Temer a economia do país iria aquecer e milhões de empregos seriam gerados, não conseguiram manter a sociedade ao lado do ilegítimo.

O desempenho de Temer despencou. Ele é reprovado por 95% dos brasileiros, segundo pesquisa CUT/Vox. Até o Datafolha desistiu de sustentá-lo e em sua última pesquisa registrou um percentual de apenas 7% de aprovação.

Nossos atos, mobilizações e paralisações contribuíram muito para expor a verdadeira face desse presidente ilegítimo, corrupto e totalmente subordinado ao mercado, aos empresários com quem sempre fez negociatas por baixo dos panos ou nos porões do Palácio do Jaburu.

Nenhum direito a menos!.

Queremos eleições diretas já!, para que a voz do povo seja ouvida e o Brasil seja colocado novamente no rumo do desenvolvimento com inclusão social, distribuição de renda e geração de emprego.

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