sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Todo poder à Odebrecht e aos procuradores contra Lula, por Cíntia Alves do Jornal GGN

Um documento divulgado pelo Estadão em reportagem divulgada nesta sexta (27) mostra que a defesa de Lula terá muita dificuldade em mostrar que ele não consta entre os beneficiários de propina da Odebrecht.
A reportagem "Criador do ‘Drousys’ entrega a Lava Jato lista com 73 usuários do sistema" aborda uma resposta à Polícia Federal dada pela empresa que criou o software usado pela Odebrecht no exterior. O jornal destacou a lista com os apelidos das pessoas que tinham acesso ao sistema e alguns ditos "beneficiários" de pagamentos no exterior. Lulka não figura na lista, mas o Almirante Othon e Rodrigo Tacla Duran, sim.
Nesta mesma resposta, contudo, a empresa que criou o Drousys conta que a Lava Jato de Curitiba exigiu da Odebrecht a contratação de uma empresa estrangeira para ter acesso exclusivo ao sistema, após o acordo de delação premiada. A fundadora do sistema perdeu o controle pouco depois de dar detalhes operacionais aos membros da força-tarefa.
Algo semelhante foi feito à Procuradoria-Geral da República, de modo que apenas os procuradores envolvidos com a Lava Jato têm poder total sobre o Drousys. Eles agora utilizam de executivos (e delatores) da Odebrecht para "traduzir" os dados que ali estão. 
Isso significa que o que os procuradores da Lava Jato disserem, com apoio dos delatores da Odebrecht, dificilmente será contestado, já que há inúmeros obstáculos impostos às defesas que querem acessar o sistema.
Evidência nesse sentido é que a banca que defende Lula já demandou isso ao juiz Sergio Moro, e encontrou resistência dos procuradores de Curitiba, que agora alegam que não possuem acesso "integral" aos sistemas, somente a PGR. 
No documento à PF assinado por um dos criadores da empresa Draftsystems, que vendeu o Drousys para a Odebrecht, há a informação de que a parceria entre ambas começaram em 2007 e 2008.
Em 2014, com a Lava Jato já em evidência,  Odebrecht pediu que a estrutura migrasse da Suíça para a Suécia. Segundo Paulo Sérgio da Rocha Soares, da Draftsystemns, isso feito feito com a alteração do apelido (nickname) de todos os usuários, "porém com total preservação dos dados existentes no antigo Drousys dos servidores instalados na Suíça".
Em tese, só não são mais acessíveis as informações de pessoas que deixaram de ser usuários, por uma questão muito simples: foram deletadas para não ocupar espaço nos servidores.
Paulo ainda relatou que precisamente em 23 de junho de 2016, ele e um sócio acompanharam a Odebrecht em visita à força-tarefa de Curitiba, "objetivando prestar esclarecimentos relativos ao envolvimento e responsabilidade técnica com o ambiente Drousys. Nesta reunião foi detalahado o histórico de criação do Drousys, assim como informados sua exata localização na Suíça, declarada sua movimentação e exata localização na Suécia. Toda rotina de utilizaçã por parte dos usuários e as rotinas de backup foram detalhadamente explicadas."
 O encontro com a PGR se deu dias antes, em 14 de junho. 
No mês seguinte, em 12 de julho de 2016, a Draftsystemns acompanhu a Odebrecht ao Datacenter na Suécia, para entrega técnica formal dos servidores para a empresa FRA (Forensic Risc Alliance Groups), "escolhida pela Odebrecht de acordo com o disposto pelo Ministério Público Federal brasileiro."
"Nesta oportunidade", continou Paulo em mensagem à PF, "toda estrutura do ambiente foi explicada para as empresas Quinn Emanuel e Norton Rose, que ficariam responsáveis pela extração segura das informações do mabiente. A partir desta data,  a Draftsystems nunca mais tece vondições de acesso aos servidores entregues, não dispondo de cópia dos mesmos. 
Ao final, o empresário apresenta uma lista de "usuários com beneficiários e empresas pagantes".
O documento está em anexo.  Arquivo:

GGN

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