sexta-feira, 20 de julho de 2018

É HORA DE SE DISCUTIR A USP, POR LUIS NASSIF

Na coluna de ontem, mencionei a necessidade da USP (Universidade de São Paulo) ser regida por um Conselho Administrativo. Leitores supuseram que eu me referia ao Conselho Superior, que existe. Seria algo acima do Conselho Superior, formado por membros da sociedade civil, produtiva, órgãos de fomento, indústria, governo que pudessem definir claramente a missão da universidade.
O mesmo problema do excesso de concentração de encargos burocrático acomete as universidades federais, tornando quase impossível a função do reitor. Este tem que ser um super-homem, entender de área administrativa, acadêmica, prestar contas para o governo, enfrentar a lei de responsabilidade fiscal. Não foi treinado para isso, porque escolhido exclusivamente entre professores.
As universidades americanas têm o CEO, o presidente. Debaixo dele, as áreas administrativa e acadêmica. E o Conselho Administrativo definindo a missão e os indicadores de desempenho.
Com essa polarização maluca que tomou conta do país, com CEOs sem visão sistêmica de país, e muitos departamentos sem visão de eficácia, há que se ter muito cuidado para impedir interferências indevidas na missão da Universidade. O que só seria possível com governos legitimados pelo voto e uma ampla discussão sobre a governança.
Outro fator decorrente dos problemas estruturais da USP é a incapacidade de pagar salários competitivos aos professores em tempo integral. Nos últimos anos, perdeu diversos professores para as federais - antes que Temer e Maria Helena Guimarães iniciassem o trabalho de demolição - e para as universidades privadas de ponta.
Por trás dessa crise, uma redução da receita em decorrência da queda da atividade. Mas também a falta do modelo administrativo eficiente.
Tome-se o caso do campus de São Carlos. Tem Institutos de Física, Química, Arquitetura, Engenharia, Matemática, Computação e a prefeitura do campus. São 6 unidades.
É um campus essencialmente de exatas. Cada unidade tem uma estrutura administrativa independente, com diretor, vice-diretor, chefes de departamento, vice-chefes, RH, transporte e motoristas. Tudo isso para um campus com 5 mil alunos de graduação e 3 mil de pós.
Em todo caso, São Carlos é um centro de excelência (e seria melhor ainda com objetividade gerencial e com os professores libertados das malhas burocráticas da administração). No caso da USP Leste, o quadro é mais confuso, porque a universidade não definiu sua vocação.  O único critério a justificar sua criação é o da localização. 
Se a USP ainda é a melhor universidade do país, deveria estar participando das grandes discussões, dos grandes problemas nacionais. Por que não está? A PUC-SP faz mais eventos, discute mais o Brasil do que a USP.
O MIT (Massachusetts Institute of Technology) é uma unidade, que tem departamentos.
Quando se fragmenta a gestão, dificilmente se conseguem projetos multidisciplinares, que deveriam ser afetos apenas à área acadêmica. Dependem de cada instituto, de cada departamento envolvido. Torna-se um paquiderme burocrático.
Há muitos modelos internacionais que funcionam. Se não souber como fazer, que se copie o modelo de uma universidade padrão internacional.
Do GGN

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