quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mãe suspeita de mandar matar o próprio filho é presa pela Polícia do RJ, confira

Maria Selma dos Santos, mão que mandou matar o próprio filho
Frases como “o dinheiro transforma as pessoas em monstros” dão uma noção aproximada do impacto do crime ocorrido em novembro de 2011 na Rua José Alvarenga, no Centro de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ao descobrirem, esta semana, que a moradora que vivia há mais de 50 anos na rua, Maria Selma dos Santos, de 70 anos, seria a mandante da morte do próprio filho, José Fernandes dos Santos, não conseguem esconder a indignação. Procurados pelo G1 na tarde desta quarta-feira (23), eles comentaram o episódio e a descreveram como educada e reservada, mas não quiseram se identificar.

Maria Selma foi presa na terça-feira (22). Ela pagou R$ 20 mil para que um assassino cometesse o crime. De acordo com as investigações, ela queria administrar os bens da família, entre eles vários imóveis, que estavam nas mãos de José Fernandes. Maria Selma, a empregada doméstica Maria José da Silva e Isaac Paulo de Moraes, um dos suspeitos de executar o assassinato, estão presos temporariamente, por 30 dias, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Todos vão responder por homicídio duplamente qualificado. 

Selma é descrita como uma pessoa discreta, que vivia recolhida na casa ampla, com fachada de pedra, que atualmente é guardada por um segurança. Ela era tida por alguns vizinhos como uma pessoa educada, que cumprimentava todos na rua e até perguntava se alguém queria algo do mercado. Mas para outros, era distante, dirigia o próprio carro e não cumprimentava ninguém.

“Ela era reservada. Não cumprimentava, mas também não era ruim. Era uma pessoa comum. A gente fica chocado quando sabe de um crime assim”, disse um funcionário do Instituto Marcos Freitas, em Caxias, que há dez anos trabalha no local.

Procurado pelo G1, o advogado de Selma, Thiago Lins e Silva, não foi encontrado no escritório para dar a versão de sua cliente sobre o caso.

Depois do assassinato do filho, Maria Selma passou a dormir na cobertura do prédio em frente à casa, que também pertence à família Santos.

“Esse mundo está mesmo perdido. Quem poderia imaginar que uma mãe, que normalmente faz de tudo para proteger um filho, é capaz de mandar matar alguém que saiu de suas entranhas. Isso só pode ser coisa do demônio. O dinheiro é que faz isso: transforma as pessoas em monstros”, disse uma vizinha da rua de trás da acusada.

Ela contou que uma semana após o crime, ao ver Selma junto com a empregada, pensou em se aproximar para dar os pêsames. “Ela parecia tão consternada, que desisti de falar com ela. Achei que não seria apropriado. Ainda bem. Depois de saber que ela mandou matar o próprio filho a gente fica com medo, não sabe o risco que correu”, disse a vizinha.

Já um professor de uma escola próxima da rua comentou: “Esse crime tem que ser muito bem apurado. Não acredito que tenha sido só por dinheiro. Tem mais coisas envolvidas. Se até mãe de bandido sanguinário protege o filho, como uma senhora distinta comete um crime bárbaro desses assim?”, indagou o professor.

Moradora da rua desde que nasceu, há 87 anos, a vizinha que não quis se identificar disse que nunca viu a família discutir. Ela também afirmou que José vinha constantemente à casa da mãe, onde tinha um escritório. “A gente não conhece ninguém. Estou assustada. Meu casamento foi feito pelo sogro dela, Gastão Reis. Dá medo ver um crime desses assim tão pertinho. Ninguém nunca ia imaginar isso”, disse ela.

O funcionário de uma garagem próxima à casa contou que no dia do crime viu uma moto saindo em velocidade da porta da casa de Selma. Mas como estava passando muito mal, com pressão alta, não foi até a rua ver o que acontecia.

“Na hora, achei estranho um assalto com quatro tiros disparados tão rapidinho. Mas nunca ia imaginar que a mãe tinha mandado matar o filho. Uma amiga contou que eles não se davam muito bem, que ela reclamava que o filho a roubava e não queria dividir os bens deixados pelo marido dela. Mas acho que a coisa piorou quando o filho pegou os documentos da casa onde ela morava para vendê-la. Ela contou que foi uma briga séria e dois dias depois o advogado dela conseguiu pegar a documentação de volta”, contou o funcionário.

Uma outra vizinha, dona de casa, acrescentou: “Para quê um crime desses? Ela se vestia mal, não passeava, não viajava. Queria tanto dinheiro para quê? As pessoas não sabem aproveitar a vida que têm. Querem sempre mais. A ganância é que causa tudo isso”, observou.

Denúncia
A empregada da idosa suspeita de mandar matar o próprio filho para poder administrar os bens da família afirmou que a mãe comemorou ao saber que os assassinos haviam concluído a execução, de acordo com o RJTV. Em depoimento à polícia, a doméstica contou que, na comemoração, a patroa chegou a dizer que o filho, José , tinha “ido para o inferno”.

A família Dos Santos é bastante conhecida em Duque de Caxias. O avô de José Fernandes foi prefeito por duas vezes da cidade, e também exerceu um mandato à frente da Prefeitura de Rio Bonito, no interior do estado. A família também era dona de um cartório em Caxias. Na manhã desta quarta-feira, os vizinhos de Maria Selma estavam chocados.

Testemunhas com mesmo advogado
De acordo com as investigações, José Fernandes saía de casa em um carro, quando deixou o automóvel para fechar a porta da residência. Neste momento, dois homens em uma moto o cercaram e dispararam contra ele. Quatro tiros atingiram José, que morreu na hora. Isaac teria cometido o crime com outro suspeito, que ainda é procurado pela polícia. “Continuamos com a investigação em andamento para localizar o segundo atirador”, disse o delegado.

Os investigadores desconfiaram da idosa depois que várias testemunhas do caso prestaram depoimento acompanhados de um mesmo advogado.

 Do G1

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