segunda-feira, 5 de setembro de 2011

'ARAPONGAS' INVESTIGARAM 'FICHA SUJA' DE NOVAIS, VEJA

Relatórios do Serviço Nacional de Informações (SNI) e do Ministério da Justiça dos anos 1970 e 1980 afirmam que Pedro Novais, hoje ministro do Turismo, era suspeito de atos de improbidade administrativa e de desvio de recursos públicos
O ministro Pedro Novais (Turismo): improbidade e desvio de recursos
Em 30 de outubro de 1979, o Serviço Nacional de Informações (SNI, mais tarde transformado na Agência Brasileira de Inteligência, a Abin) definia no Telex 94/15 um deputado estadual maranhense da Arena, o partido do governo. Ele era "aparentemente integrado" à então chamada “Revolução de 31 de março de 1964” e sem registro de antecedentes de natureza subversiva.
A probidade administrativa, no entanto, era "duvidosa", de acordo com o texto. Pesavam contra ele fortes acusações de desonestidade. A competência não era um atributo em que se sobressaísse. De acordo com o texto, ele teve até então "discreta atuação nos cargos que desempenhou" e "sem qualquer destaque".
Era assim que o SNI via o atual ministro do Turismo, Pedro Novais Lima, escolhido pela presidente Dilma Rousseff para administrar um orçamento de R$ 3,7 bilhões anuais. O registro faz parte do Juízo Sintético 258, da Presidência da República. São mais de 100 páginas às quais o Correio Braziliense teve acesso, com registros do passado suspeito do ministro das décadas de 1970 e 1980, ora citado com o sobrenome “Novaes”, ora com Novais, o correto – em um dos documentos há alusão à existência da dupla grafia nos registros.
Desde o início de agosto, Novais enfrenta uma crise na pasta que comanda sob acusações de desvio de recursos públicos. Ele alega que não tinha conhecimento das informações antes de emergirem na operação “Voucher”, da Polícia Federal. Assim, ele conseguiu permanecer no cargo, mesmo com a prisão dos seus principais subordinados.
Essa imagem de alguém que não percebe irregularidades importantes contraria as informações reunidas pelas agências estaduais do SNI e pelo Ministério da Justiça, que constroem um personagem atento e esperto.
A alegação de ignorar irregularidades, porém, não é algo novo na biografia do ministro. Como no caso dos desvios de recursos públicos no Turismo, Novais também alegou desconhecimento no início da década de 1970, quando veio à tona uma fraude milionária na Diretoria de Despesa Pública da Receita Federal.
Segundo os documentos do SNI, Novais teria se omitido até mesmo na produção do inquérito administrativo. Ele era assessor da Secretaria da Receita Federal. Registros da época afirmam que o prejuízo aos cofres públicos foi causado por pagamentos a pessoas fictícias.
A denúncia de um agente fiscal de Tributos Federais também apontava o enriquecimento ilícito dos envolvidos no esquema.
“Quanto ao sr. Pedro Novais Lima, basta uma visita à sua residência para verificar ser uma das mais luxuosas desta cidade, caracterizando os sinais exteriores de enriquecimento sem causa lícita", destaca o funcionário público nos registros oficiais obtidos pelo Correio.
Alfândega – O ministro do Turismo também é conhecido por ajudar amigos e correligionários. A fama vem de longa data. De acordo com os registros, em 1970 ele teria pedido que a alfândega do Porto do Rio de Janeiro liberasse sem pagar taxas um cidadão que trazia do exterior vários bens, inclusive máquinas fotográficas para seu amigo e chefe Amilcar de Oliveira, secretário da Receita Federal. A relação entre os dois rendeu investigações.
“Ademais, existem outros registros negativos contra Pedro Novais, todos versando sobre corrupção, destacando-se que o nominado já ocasionou uma reunião urgente visando a apurar a sua participação ilegal em empresa particular de assessoria jurídicas, tributárias e fiscal”, diz um dos documentos.
A empresa – Agla S/A – foi criada por Novais e Oliveira, então superintendente da Receita, apenas para abocanhar serviços do setor público.
"O inquérito revela tráfico de influência, podendo afirmar-se que, face as funções públicas exercidas pelos componentes da Companhia, não faltarão para a mesma serviços em abundância e altamente rendosos," diz o SNI, que ainda revela:
"Coube a Pedro Novais organizar a empresa, utilizando-se de testas de ferro, a fim de que seu nome (de Oliveira) não aparecesse na diretoria da dita empresa"
Os documentos afirmam que a Agla "constitui um polvo gigantesco com tentáculos estendidos para os setores mais importantes da administração fazendária, representados por seus acionistas principais, sendo inestimável o poder de influência que ela possui".
Segundo os “arapongas”, Novais e Oliveira queriam empregar, ilicitamente, seus cargos e posições para prestar assistência jurídica sobre assuntos tributários e fiscais.
Suspeitas de corrupção e ilegalidades também no Maranhão
O informe 21, elaborado pela Agência Nacional de Informação (integrante do SNI), em 1977, concluiu que a atuação de Pedro Novais, quando esteve à frente da Secretaria da Fazenda do Maranhão [governo de Osvaldo da Costa Nunes Freire], era caracterizada pela prática de irregularidades, sintetizadas na "centralização ilegal de pagamento das dívidas do Estado".
E mais: "Realização de vultosos gastos na reforma do prédio da secretaria da Fazenda, como também na aquisição de avião e veículos de necessidade duvidosa para um estado carente de recursos; cobrança ilegal de ICM no estado; remoção ilegal de funcionários e retenção ilegal de recursos estaduais e federais destinados ao pagamento de fornecedores e empreiteiros".
A reportagem procurou ouvir o ministro do Turismo na sexta-feira (2), sobre os fatos mencionados nesta reportagem.
A pedido de sua assessoria, foi enviado um e-mail com perguntas, cujo recebimento foi confirmado, mas não houve resposta.

ALANA RIZZO Correio Braziliense
(Com informações da Redação do JP)

0 comentários:

Postar um comentário