segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

NOTAS DE ALUNOS TAMBÉM FORAM FRAUDADAS NA UFMA

Professor de Filosofia afirma que caderneta de notas de alunos da Universidade Federal do Maranhão foram adulteradas. Caso será investigado pela PF.
Mais uma instituição de ensino superior do estado se vê às voltas com denúncias de fraudes envolvendo notas de alunos. Desta vez é Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a maior e mais tradicional do estado. De acordo com informações do professor Ayala Gurgel, do Curso de Filosofia, aconteceram nos últimos anos sete casos de alteração de notas de alunos. O mais recente, segundo ele, ocorrido no semestre passado, teria acontecido com uma aluna do que não havia feito prova e mesmo assim a nota foi lançada na caderneta. Dos sete casos abordados pelo professor através da página pessoal no microblog Twitter (twitter.com/AyalaGurgel), apenas este último não foi formalizado por denúncia no Conselho Universitário (Consun). E ainda, Ayala disse que tem como provar o que vem denunciando há algum tempo na instituição de ensino. 

"Tenho as cadernetas que comprovam as denúncias feitas no Conselho. Elas estão rasuradas. As coisas por lá acontecem assim, de forma artesanal, sem nenhuma preocupação, já sabendo que as denúncias não vão ser levadas a sério", disse. Ainda de acordo com o professor Ayala, o primeiro caso no qual percebeu anormalidade em lançamento de notas teria acontecido no Departamento de Artes, há mais de 10 anos, quando uma aluna foi reprovada na disciplina e posteriormente apareceu com nota indicando aprovação. Neste caso, segundo ele, a aluna também era funcionária da universidade, o que na análise dele teria facilitado acesso aos registros de notas da instituição. Naquele momento, Ayala julgou o caso como um fato isolado.

"Essa aluna refez a prova e foi aprovada. Este foi o primeiro caso que percebi, mas naquele momento pensei que era um fato isolado. Um colega do Curso de Medicina também comentou comigo sobre um caso semelhante. Então percebi que havia alguma coisa errada", disse Ayala. No caso mais recente, segundo ele, a aluna que não fez a prova entrou com um processo, em branco, fato que fez ele não aceitar o documento. Posteriormente o mesmo documento teria sido entregue com rasuras.

"O documento estava em branco e isso não pode acontecer em um processo. Não aceitei e devolvi. Logo depois ele - o documento - estava rasurado, provavelmente alterado e não aceitei. Mas a nota foi lançada. Tenho como provar. Tenho as cadernetas", disse. O filósofo e tanatologista, professor Ayala Gurgel, autor de livro e artigos na área de Tanatologia, Saúde Mental, Metodologia, Ética e Bioética, disse que está tranqüilo quanto ao que foi levado à público através das redes sociais. Segundo ele tudo já foi formalizado.

"Estou tranqüilo. Acho que isso não vai gerar polêmica. Na verdade tudo isso que eu falei já foi formalizado, através de denúncia no Consun", disse. O professor deixou claro no Twitter que cinco dos casos haviam acontecido durante a gestão do Reitor Fernando Ramos; um na de Barroqueiro e o mais recente na de Natalino Salgado. Ayala reforçou ainda outro caso, desta vez envolvendo plágio em tese de doutorado.

Apuração
Em nota, a UFMA disse que o professor Ayala será chamado para provar o que disse e que a instituições tomará as medidas cabíveis, tanto se forem comprovadas ou não as denúncias do professor.

Segundo a assessoria de comunicação da UFMA, se as denúncias do professor não encontrarem sustentação, ele será indiciado judicialmente. A nota da UFMA ressalta ainda que toda denúncia sem provas documentais, seja ela feita em redes sociais ou em quaisquer outros canais de comunicação, caracteriza mera leviandade.

"Mais do que falar ou, nesse caso, escrever, é preciso está legalmente respaldado para garantir a imparcialidade na apuração dos fatos", ressalta a nota, dizendo ainda que "ações como essa em nada engrandecem a Instituição ou potencializam a lisura de seus processos, pelo contrário, contribuem para uma divulgação negativa da imagem da UFMA com base em posturas individualistas e amorais".

A nota aponta também que uma determinação da Administração Superior da UFMA garante que casos assim sejam apurados rigorosamente pelos setores competentes para identificação e punição jurídica, administrativa e/ou pedagógica dos possíveis responsáveis. A Reitoria, segundo a assessoria promove ações de moralização dos processos produtivos na instituição federal no Maranhão, inclusive, com casos de professores demitidos por desleixo e/ou fraco desempenho, bem como concursos anulados para evitar eventuais prejuízos aos candidatos. Finalizando a manifestação da UFMA, a nota põe em questão a curiosa "aparição de denúncia" logo após um caso recente em outra instituição e ainda, "que esse docente - professor Ayala Gurgel - já foi afastado das atividades na UFMA em decorrência de posturas não éticas que ferem os princípios sob os quais está assentada a maior e mais antiga IES do Maranhão. O caso deve ser acompanhado pela Polícia Federal.

Caso Uniceuma
Cerca de 600 estudantes do Uniceuma teriam contratado os serviços de adulteração de notas feita por um funcionário, de acordo com a polícia. Um inquérito foi aberto pela Superintendência Especial de Investigação Criminal (Seic), e os alunos supostamente envolvidos na fraude serão submetidos ao Conselho de Ética da instituição.

Até o momento nenhum estudante foi punido formalmente e nenhum funcionário afastado. Cerca de 20 estudantes foram interrogados pela polícia. Todos negaram envolvimento e disseram não ter conhecimento das adulterações. Três funcionários ligados ao sistema de informática também foram ouvidos, mas também negaram participação. Para o delegado Breno Galdino, a fraude pode ter rendido aos envolvidos pelo menos R$ 3 milhões, considerando a média de R$ 1 mil por nota adulterada pelo menos cinco vezes por aluno.

Os envolvidos podem responder por estelionato e o condutor da fraude por estelionato e formação de quadrilha. As denúncias foram feitas no início da semana passada, envolvendo um homem identificado apenas como "Guru", que seria o "chefe do esquema". Ainda de acordo com as denúncias, os valores pelo serviço variavam entre R$ 1.500 e R$ 1.700. 

Adalberto Júnior PARA O IMPARCIAL

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