segunda-feira, 16 de março de 2020

“PACOTE” DE GUEDES ERRA NO ESSENCIAL: NÃO PROTEGE O EMPREGO

Os diferimentos (adiamentos) fiscais e as liberações de recursos anunciados por Paulo Guedes não são, em si, ruins.
É óbvio que mais dinheiro em circulação – embora a maior parte seja de adiantamentos que, lá na frente, serão subtraídos da economia – ajuda a enfrentar a crise.
Dos pomposos R$ 147 bilhões do pacote, R$ 57, 3 bi correspondem à antecipação de recursos que já seriam despendidos ao longo do ano.
Os outros R$ 52 bilhões referem-se a pagamentos que serão postergados: o recolhimento do FGTS sobre a folha e a parcela federal no recolhimento do Simples.
São, portanto, R$ 110 bilhões sem nenhum impacto fiscal. É apenas prestidigitação contábil.
Do resto, parte é barretada com chapéu alheio (corte nas contribuições do Sistema “S”) e no reforço orçamentário do Bolsa Família, que está com um milhão de benefícios retidos.
Não há nenhuma condicionante à manutenção do emprego.
Nada sobre uma estabilidade temporária e nem sequer um plus de ônus a quem mandar embora durante a crise e contratar, mais barato, depois que ela passar.
Nenhum tipo de socorro ao trabalhador informal, ao menos que fosse nas duas contribuições como autônomo.
Nada no que pudesse significar a retomada de obra e investimentos que gerem empregos que compensem os que, inevitavelmente, vão se perder, porque é isso o que vai acontecer com quem ficar às moscas ou tiver de fechar.
O pacote é obra do que o jornalista Luís Nassif chama de “cabeças de planilha” e é um wishful thinking contábil, que supõe que o empresário manterá empregos por receber desoneração – temporária, neste caso – de impostos.
Este filme assistimos não faz muito tempo e o final não é feliz.
Do Tijolaço

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