domingo, 23 de dezembro de 2018

NATAL DE 2018 PARECE O FINAL DE 1954, ANO EM QUE BRASIL TAMBÉM ESTAVA DIVIDIDO, DIZ JANIO DE FREITAS

Foto: Agência Brasil
O Natal que chega trouxe ao jornalista Janio de Freitas as memórias do final de 1954. "O país agora dividido, dizem, desde a eleição presidencial de 2014, naquele ano era reconhecido como dividido e irreconciliável."
Naquele ano, 4 meses antes do Natal, "Getúlio se matara, e os defensores de uma política de desenvolvimento industrial e exploração própria de petróleo, contra a política americana de retenção da América Latina, estavam apreensivos e desnorteados. Os conservadores ocupavam outra vez o poder, e as conquistas do governo de Getúlio ficavam ameaçadas. Não é difícil encontrar paralelos entre aquela e a atual fase."
"O que mais aproxima os dois momentos", escreveu Janio neste domingo (23), "é o estado de ânimo dos opostos. Os abatidos na Lava Jato e destituídos do poder reproduzem hoje os sentimentos dos golpeados com Getúlio e retirados do poder. Situações políticas e anímicas equivalentes."
"Mas a direita de 54 não desfrutou do otimismo que a vitória, por si, podia lhes dar. A situação febril continuou. O ano entrante era esperado com inquietação pelos conservadores, tanto mais que seria ano de eleições e o seu recente controle do poder estaria sob risco."
Hoje, a "euforia dos apoiadores populares de Bolsonaro (...) não é correspondida no segmento de fato e de direito representativo do conservadorismo. Por mais que evitada a sua exposição, a insegurança sobre o próximo governo é o senso comum no empresariado e na classe média, de sua camada central para cima."
"As muitas incógnitas do plano e do próprio Paulo Guedes, os já iniciados problemas de comércio exterior decorrentes de política externa, e a reforma tributária produzem um quadro de tensões que dá equanimidade aos conservadores de 54 e de hoje", completou.
GGN

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