terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

O “PAULO DA MALA” TEVE DIREITO AO “FORO TARTARUGA” POR 10 ANOS. POR FERNANDO BRITO

Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, era investigado pela Polícia Federal desde 2008/09, como personagem da Operação Castelo de Areia, anulada pelo STJ, como relatou a insuspeita Veja no dia 13 de 2010, em reportagem de  Fernando Mello e Marina Dias:
Vieira de Souza aparece em uma série de documentos apreendidos pela Polícia Federal na Operação Castelo de Areia, que investigou a empreiteira Camargo Corrêa entre 2008 e 2009. Pelo menos quatro desses documentos, obtidos com exclusividade por VEJA.com, trazem indícios de que o engenheiro era destinatário de propinas da construtora. Um dos papéis mostra quatro pagamentos mensais de 416.500 reais, com data inicial de 20 de dezembro de 2007. 
E o que aconteceu? Nada.
O apartamento onde guardava os tais R$ 100 milhões que punha “para tomar sol” e tirar a umidade teria sido usado em 2010 e 2011, em plena camanha de José Serra, quando foi exposto ao país, em rede nacional, como operador de propinas do tucanato.
E o que aconteceu? Nada.
A polícia sabia em detalhes como era o apartament-cofre pelo menos desde agosto de 2017, quando o doleiro Adir Assad, investigado desde 2012, falou da existência do imóvel, no bairro paulistano de Vila Nova Conceição, como registra O Globo, àquela época:
Assad contou ter entregue valores diretamente a Paulo Vieira, responsável por licitar obras viárias em São Paulo entre 2007 e 2010. Em pelo menos três delas — Rodoanel (R$ 5 bilhões), Nova Marginal Tietê (R$ 1,4 bilhão) e Complexo Jacu-Pêssego (R$ 2,1 bilhões) — teria havido repasse de propina.
E o que aconteceu? Nada, porque Paulo Preto estava solto e Lula, contra quem não há contas, recibos, cartões de crédito, escritura de apartamento ou sítio, está preso.
Há um ano, Rubens Valente e Reynaldo Urollo Jr., na Folha, chamavam a atenção para o fato de que o caso contra o ex-diretor da Dersa se arrastava:
A investigação do Ministério Público Federal sobre as contas bancárias na Suíça atribuídas a Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, apontado como operador do PSDB, é marcada por lacunas e procedimentos que fogem à rotina de uma apuração do gênero.
PGR não informa à Polícia do que recebe das autoridades suíças, discussões sobre as provas pertenceram ao processo de São Paulo e o dinheiro que lotava o apartamento – R$ 113 milhões, à época – ter sido tranquilamente transferido da Suíça para as Bahamas.
Depois de tanto tempo, com os personagens desta história já fora de cena, algo de muito importante deve estar empurrando o atrasadíssimo ânimo apuratório da PF e do MP.
Afinal, não se deixou “um companheiro à beira da estrada”, não é?
Tijolaço

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