sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

MOURÃO, O “BOCÃO”, TRANSFORMA ATÉ BARRAGEM ROMPIDA EM PERSEGUIÇÃO AO BOZO, POR FERNANDO BRITO

Alguém tem de avisar ao general Hamílton Mourão que ninguém está acusando  Jair Bolsonaro e seu governo de serem os responsáveis pelo rompimento da barragem de Brumadinho. E que fica muito feio que ele tente tirar proveito político dizendo que “não tem nada com isso”.
— Essa conta não pode vir pra gente, não pode vir para nosso governo. Porque nós assumimos faz 30 dias. Ali é uma empresa privada, a Vale é uma empresa privada.
General, é claro que a responsabilidade civil e criminal é da Vale, que não poderia, mesmo com qualquer grau de imprevisibilidade, deixar uma barragem de rejeitos se romper. Se os laudos que tinha estavam errados, que ela processe (chama-se, juridicamente, de regredir) contra quem os deu.
A responsabilidade do Governo, se o senhor não atinou, é a de fiscalizar com eficiência e capacidade técnica não aceitar passivamente a “garantia da empresa”. E de só permitir o que seja seguro e sem risco para a população e o ambiente.
É por isso que não estamos culpando Jair Bolsonaro pelo que aconteceu em Brumadinho, mas pelo que pode acontecer daqui para a frande se prevalecer o que ele disse à Folha, não tem nem dois meses. Está na Folha, mas coloco o link, para facilitar sua agenda pesada.
Há notícias iniciais de que licenças facilitadoras e fiscais sem capricho andaram acontecendo por lá, a ver.
O que se quer do governo federal, que é quem detém competência para as licenças minerárias e que faça quem lucra bilhões extraindo minérios pague, com impostos e royalties, a manutenção de um corpo técnico capaz, com instrumental suficiente para fiscalizar sua atuação.
E com independência, para não acontecer como com a multa que deram ao “chefe” por pescar numa reserva  e anularam depois.
Porque um governante dá exemplos – o Temer diria: verba volant, exempla trahunt –  e ao sinalizar que demoniza a fiscalização “no cangote dos empresários”  Jair Bolsonaro abre caminho para que tragédias aconteçam.
E aí, sim, a conta irá para os senhores.
Merecidamente.
Tijolaço

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