domingo, 6 de janeiro de 2019

O MAL POR SI SE DESTRÓI

O mal por si se destroi[1], o governo Bolsonaro nasce a partir de uma contradição entre diferentes forças de elites, políticas, militares, judiciais, econômicas e sociais, cujo principal fator de unidade é o antipetismo. A direita econômica possui quase nenhum vínculo real com a direita comportamental do meio evangélico. A grande mídia segue o jogo neoliberal, o qual – no tema LGBT, por exemplo - é contratante com o nacionalismo e com o conservadorismo de costumes da extensa base eleitoral vinda das igrejas, bastando para isso ver a forte reação da rede Globo em relação ao assunto “rosa e azul” e, em contrapartida, a briga interna da base conservadora do governo contra a mesma rede Globo.
A esquerda apenas defende as minorias (qualquer minoria), mas, é colocada pelo Bolsonarismo perante os seus eleitores como sendo a “promotora” e responsável desta estratégia anticostumes e que segundo eles desintegra a sociedade (que é exatamente o que a Globo faz), contra o povo “conservador”. Ainda, o verdadeiro nacionalismo ou defesa do Brasil promovido pela esquerda é distorcido com base no Bolivarianismo, a Venezuela, a camisa vermelha e etc.
Este conjunto de distorções, tanto pelo lado do governo como pela “imagem” que este governo tenta passar aos seus eleitores em relação ao PT, subsistirá na medida em que a esquerda combata equivocadamente a imagem dessa salada que é o governo, pois a resposta bolsonarista é dada ainda em forma de palanque, onde o povo continuará sendo iludido. Corremos o risco de prosseguir numa espécie de terceiro turno onde ainda continuaremos perdendo. Não podemos passar a imagem de que o PT luta contra os eleitores do Bolsonaro.
Este conjunto de situações que hoje vivemos somente será destruído por implosão, ou seja, pela desilusão individual de cada eleitor bolsonarista, ao ver pelos seus próprios olhos o equívoco cometido na urna. Este eleitor arrependido demorará mais tempo ou, mesmo se este se arrepender logo, poderá ir para outro campo anti-PT, se não tomamos o cuidado de desarmar primeiro a armadilha antipetista.
A equipe econômica do governo vai brigar com a base evangélica, e esta com os militares e, ainda, com a grande mídia. Devemos assistir isso de camarote. Há que tirar deles a argamassa, o único ponto de união, que é o antipetismo.
Como se desarma a armadilha

1.    Deixar que o governo “governe” e se autoimploda, sem atacar por atacar e, muito menos, sem dizer...”eu não falei?”. Pessoalmente não quero que o governo apenas se de mal, mas quero também a volta dos eleitores desavisados que apoiavam Lula nos primeiros governos do PT;
2.    Não renunciar a sermos oposição, mas, para isso, trabalhar discretamente dentro do congresso, com os nossos parlamentares. Sermos oposição às políticas contra o povo, mas não passar a imagem que somos contra o Brasil, como pretende o atual governo;
3.    Defender o povo, mostrando os bons caminhos para esta nação, caminhos que já foram trilhados pelo PT;
4.    Não dar munição ao Bolsonarismo gerando ações que – embora legítimas - o atual governo possa tergiversar e colocar na nossa conta como sendo negativas perante o povão. Do tipo Wyllys cuspindo na cara do Bolsonaro (que na época foi quase como a facada, que rendeu pontos ao próprio Bolsonaro);
5.    Montar alianças e plataforma política para as próximas eleições municipais de 2020;
6.    Reconstruir a ideologia de esquerda operaria e nacionalista e ter mais cuidado com os ventos de pseudoesquerda modernosa que chegam desde o exterior, insuflados por correntes neoliberais (e pela rede Globo). Em grande parte perdemos a eleição por conta desta perda de identidade, e fomos estupidamente derrotados pelo kit Gay e por outras bobagens que surgiram a partir das nossas próprias ações, levantando bandeiras inoportunas em momentos de plena luta pela nossa democracia. Foi um erro infantil, inclusive dentro deste blog, onde alguns tentaram aparecer como sendo mais esquerdista que o outro, enquanto o conjunto da esquerda foi para o ...
GGN-Comentários


[1] o mal é oportuno se instala onde pode, seja na revolta dos oprimidos que buscam justiça ou no ódio dos opressores.
Ou seja em um conflito não existe certo ou errado os dois são o mesmo mal cada um de um lado diferente da moeda, existe o lado que mais temos afinidades e julgamos ser o lado certo. Cristiano Peres Andrade.

0 comentários:

Postar um comentário