terça-feira, 24 de novembro de 2020

VIRADA DE BOULOS JÁ NÃO É UTOPIA, DIZ FERNANDO BRITO

Nada mais revelador da visão que a elite impõe à classe média do que aquilo com que a tucanérrima apresentadora do Roda Viva, Vera Magalhães, procurou desqualificar as propostas de Guilherme Boulos, ontem, no Roda Viva, dizendo que parecia “muito utópico” – no que, aliás, foi muito bem rebatida pelo candidato, que ironizou a São Paulo “perfeita” da propaganda de Bruno Covas.

É que eles fazem assim: desqualificam os sonhos, os desejos, a grandeza dos sentimentos humanos de fraternidade, dizendo que são irreais e que o importante é a “gestão”, o ser prático, mesmo que essa praticidade seja miséria, pobreza, juventude atirada ao descaminho, pobres para sempre pobres e a convivência humana eternamente conflituosa.

E, tal como a Terra gira e é redonda, não importa a quantas vezes quem o dizia foi posto à fogueira por querê-la plana e fixa, o sonho sobrevive e teima em virar realidade.

Nada como os sonhos para gerar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã, escreveu Victor Hugo, há 250 anos, em seu Os miseráveis, e isso é algo que a mais escura noite da estupidez e da brutalidade que se abateu sobre o Brasil não consegue eclipsar para sempre.

O crescimento de Boulos nas pesquisas, como no Datafolha que o aproxima de Bruno Covas (agora é um +4/-4%, ante um +6,5/-6,5% de cinco dias atrás) é isso, o rebrotar inesperado de uma necessária utopia e em que a maior e mais rica cidade do país compreenda – e compreende, já se vê – a lição do carioca Tom Jobim: é impossível ser feliz sozinho.

E é mesmo, porque pobreza, miséria, abandono, violência, descaso com o ser humano são fonte de infelicidade para todos, inclusive para os privilegiados.

A pesquisa dá um novo gás à campanha de Boulos nos cinco dias que separam os paulistanos das urnas. Sua vitória não é mais uma utopia, é uma realidade, ainda que possa não acontecer na frieza dos números.

Mas no calor da política, ela é um fato e há um vitorioso.

São Paulo tem – e o Brasil tem – um novo e importante personagem político, ideologicamente sólido, pessoalmente gentil, de raciocínio rápido e abrangente e que sabe fazer sonhar, primeiro e necessário passo para todos que nasceram para fazer.

Do Tijolaço

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