segunda-feira, 18 de maio de 2020

A MORTE COMO ESTRATÉGIA DA POLÍTICA DE JAIR BOLSONARO PARA O BRASIL, POR FERNANDO BRITO

Não surpreende ler na Folha que Jair Bolsonaro pode demorar para escolher novo ministro da Saúde.
A aposta do presidente é muito diferente de agir para minimizar os danos humanos da pandemia. Ao contrário, ele espera que o desastre humanitário não apenas desmoralize os governos que adotam medidas restritivas, como desencadeie um processo de sofrimento e convulsão social que ampare a tomada de medidas de força.
Sobre as ações de saúde, basta-lhe continuar a agitação da pantomima da cloroquina, como a dizer que são os médicos e os governadores que não querem dar ao povo a cura que o presidente promete, embora já não haja ninguém sério que creia que seja.
Aliás, é difícil para qualquer pessoa mentalmente equilibrada entender o pensamento do ex-capitão, mas todos os fatos concretos mostram que é assim a sua conduta.
Quanto mais o país afundar, mas sentirá como positivo o pequeno alívio da “retomada”, ainda que ela seja pequena, quase inexpressiva, como o alívio de quem tira apenas uma volta do torniquete que o garroteia.
Além do mais, ele conta com a tibieza das reações do Legislativo e do Judiciário – mais o primeiro que o segundo – para que possa seguir, com uma legião de zumbis humanos e robôs virtuais, a se imporem sobre um povo entocado, impedido de ir além das inócuas panelas na janela.
A “arminha” do ex-capitão é aquilo a que ficaram reduzidas as Forças Armadas, comandadas de fato por uma turma de generais provectos e desavergonhados, que trocam sua honra pela proximidade do poder e pela garantia de que o país não se erguerá.
Do Tijolaço
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