sábado, 16 de maio de 2020

BURITI CONTINUA DE LUTO, MORRE O CIDADÃO ABRAÃO RIBEIRO DA SILVA AOS 96 ANOS RECÉM-COMPLETADOS

Abraão Ribeiro, homem de fibra, religioso, honesto e trabalhador
O seu Abraão como era conhecido por todos, puxado na idade, e com a saúde debilitada, contraiu a covid – 19, fora internado no principal centro de saúde de Buriti, uma clínica de atenção básica, localizada no sopé de um morro, quase dentro do Riacho Tubi, onde faleceu por volta das 5 horas da manhã de hoje, sábado 16 de maio.
Como seguem as recomendações das autoridades sanitárias de saúde, não houve velório, ultra-restrito aos poucos familiares, foi sepultado aproximadamente entre às 10 e 11 horas de hoje, no cemitério municipal São José, que por sinal é vizinho à sua casa, onde viveu grande parte de sua vida regrada, na Rua inácia Vaz.
Abraão Ribeiro, nasceu em 15 de maio 1924, no município de Buriti, no lugar São Francisco, alfabetizado aos sete anos de idade pela professora Tonica Guimarães, com quem aprendeu a ler, escrever e a contar, foi agricultor, comerciante por longos anos, político, religioso e também era poeta. Casado com Angélica Januário de Aguiar, com quem teve 15 (quinze) filhos, alguns em memória, 29 (vinte e nove) netos, 24 (vinte e quatro) bisnetos e 2 (dois) tetranetos.

Abraão Ribeiro da Silva, era filho de Gedeão Ribeiro da Silva e Zulmira Marques da Costa, ficou órfão de pai aos nove (09) anos, começou a trabalhar muito jovem no ramo do comércio varejista e da lavoura. Após o casamento, passou dividir as tarefas de comerciante, quitandeiro com sua esposa Angélica que vendia no balcão. Ele responsável pelas compras, ou seja, do abastecimento do comércio que eram feitas em Teresina, Parnaíba, Chapadinha, bem como em Buriti.

Seu comércio girava em torno da compra da produção de gêneros produzidos nas roças, pelos moradores da redondeza nas terras arrendadas por ele. Seu Abraão comercializou e em quase todo território buritiense, onde da mesma forma estabelecia residência, foram inúmeras localidades como, João Lobo, Boa Hora, Sítio Velho, Vargem, Pedras, Barra Nova, Pé da Ladeira e muitos outros povoados. Armazenava os gêneros comprados, incluindo o babaçu em Buriti. Abraão era um homem culto, educado, bom pai de família, bom filho, muito religioso e sábio, quando era bem jovem queria ser padre, mais as dificuldades da época o fizeram desistir.

Por toda sua vida, nos lugares que morou, nas terras em que arrendava e montava seu comércio, trabalhava gratuitamente com muito amor para as comunidades, pregando o evangelho, alfabetizando os adultos, cuidava da saúde dos moradores e vizinhos, aplicava injeções e realizava campanha de vacinação, um verdadeiro voluntário. Na década de 70 (setenta), se estabeleceu em Buriti, mais precisamente em 1974, onde morou até seus últimos dias de vida, trabalhou até quando pode na construção das comunidades, tendo criado e presidido a Comunidade Santa Helena, momento em que fora construída a Capela de Santa Helena, na Rua de mesmo Nome.

Abraão implantou e presidiu as Comunidades Eclesiais de Base na sede municipal e em vários povoados, participou da criação das Frentes dos Trabalhadores Contra as Secas, fomentou ativamente o movimento Sindical dos Trabalhadores Rurais de Buriti, igualmente fundou a Colônia de Caça e Pesca, participou da criação do Conselho Tutelar e da Pastoral da Criança de Buriti, colaborou com a implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente na cidade. De modo que criou e presidiu o PDT em Buriti por vários anos, por meio do qual foi candidato a vereador e vice-prefeito, de forma que participou aguerridamente dos movimentos sociais de seu tempo, com efeito pelos direitos dos trabalhadores e dos menos favorecidos da sorte, um homem incansável.

        Seu a Abraão gostava muito de ler, de escrever poemas e alem disso recitá-los. Nos anos 80 (oitenta) começou a escrever poemas, em 1996 lançou o folheto com versos em homenagem a sua terra denominado "Minha Terra", a sua amada Buriti de Inácia Vaz. Aposentado como comerciante, sua visão já não era aquela de outros tempos, assim como, a audição, mas continuava bem-humorado e sábio, ora por outra, quando a saúde lhe permitia, ele brindava os visitantes recitando trechos de algumas de suas poesias. Como poeta participou com destaque no ano de 2010 e 2016 dos Festivais Buritienses de Poesias promovidos pela AMIB. Um fragmento das suas obras foram publicadas nos livros "Vozes Poéticas dos Morros Garapenses", 2º edição de 2019, e  "Aventuras Literárias", lançado pela AMIB, no ano de 2017.
Seu Abraão e D. Angélica na solenidade de entrega de medalhas na AMIB.

Por fim, em 23 de julho de 2017, Abraão Ribeiro da Silva e sua esposa foram homenageados pela Associação dos Amigos de Buriti - AMIB, com as medalhas de honras, pelo exemplo de casal e cidadãos, que muitos e relevantes serviços prestaram à comunidade buritiense. Abraão Ribeiro cumpriu com mérito a sua missão na terra dos homens vivos, passaporte para ser bem recebido na terra dos homens mortos.  

Fonte: Buriti: nosso berço nossa história de Joaquim Pedro Linhares de Aguiar.
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Um comentário:

  1. Meu papai que Deus levou ,mesmo triste coração partido meu pai estou vivendo um momento que há muitos anos não passava .saudades eternas.obrigada a todos que o homenageiam da filha .Rosimar

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