quinta-feira, 25 de junho de 2020

O “THE NEW YORK TIMES” E O MODO “COMO O VÍRUS VENCEU” NOS EUA (COMO AQUI), POR FERNANDO BRITO

A edição de hoje do The New York Times tem uma impressionante reportagem de capa – “Como o vírus venceu” – onde se rastreia a disseminação dos casos de infecção e morte pelo novo coronavírus nos Estados Unidos desde que o país tinha apenas 15 casos detectados e o presidente Donald Trump desdenhava do perigo, dizendo que em alguns dias estes seriam “reduzidos a zero“.
No mesmo briefing de imprensa – as semelhanças não são mera coincidência – ele desdenhava dos efeitos do Covid-19, dizendo que a gripe comum matava milhares de vezes mais e ninguém se preocupava com ela.
O trabalho da equipe do NY Times é precioso, analisando “padrões de viagem, infecções ocultas e dados genéticos para mostrar como a epidemia saiu de controle”.
E registra, com situações concretas, como as autoridades públicas deixaram de tomar as providências duras que poderiam ter salvo dezenas de milhares de vidas.
Rastreamos a disseminação oculta da epidemia para explicar por que os Estados Unidos não conseguiram detê-la. A cada momento crucial, as autoridades americanas estavam semanas ou meses atrás da realidade do surto.
As conclusões são duras e deveriam servir como advertências para nós, que tivemos a sorte de estarmos, em relação aos EUA, “atrasados” na disseminação da epidemia, basicamente porque lá é incomensuravelmente maior o movimento de viajantes internacionais e, claro, foram eles os vetores do que se transformaria em pandemia.
Os principais especialistas federais em saúde concluíram, no final de fevereiro, que o vírus provavelmente se espalharia amplamente nos Estados Unidos e que as autoridades do governo logo precisariam instar o público a adotar medidas de distanciamento social, como evitar multidões e ficar em casa.
Mas Trump queria evitar perturbar a economia. Por isso, alguns de seus conselheiros de saúde, por insistência de Trump, disseram aos americanos no final de fevereiro que continuassem a viajar no país e seguir suas vidas normais.
A história está toda ali, na primeira fase da expansão da doença. Mas a segunda fase ainda está por ser escrita, com o país voltando a registrar números recordes de contaminação (37 mil ontem, 47% a mais que há duas semanas). As mortes, ainda em queda (se é que se pode chamar quase 800 óbitos de “queda”) logo seguirão a mesma macabra tendência.
Estamos, outra vez, recebendo avisos, mas parece que, de novo, eles serão ignorados. Nossas autoridades públicas se amparam no fato de que, salvo em alguns casos, o sistema de leitos de internação não entrou em colapso – claro que por ter sido fortemente expandido – e acham que este perigo “já passou”, abrindo todo o comércio e os serviços e falando até em volta às aulas.
Serão atropelados pela realidade, como os norte-americanos foram e estão sendo.
Do Tijolaço
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