domingo, 9 de agosto de 2020

BOLSONARO FOGE DA CULPA QUE ELE TEM, POR FERNANDO BRITO


O fascismo tem como regra a criação, sempre, do “inimigo interno”.
Bolsonaro usa e abusa disso.
O fiasco de seu governo é “explicado” pela decisão do STF que reconheceu competência concorrente a Estados e Municípios para ditar normas de isolamento social.
Claro, o Governo Federal não determinava norma alguma, esperava o quê?
Hoje, ele investe contra a Globo, que, segundo ele, “de forma covarde e desrespeitosa aos 100 mil brasileiros mortos, essa TV festejou essa data no dia de ontem, como uma verdadeira final da Copa do Mundo, culpando o presidente da República por todos os óbitos”.
Ao que se saiba, ontem, a única comemoração esportiva foi a do próprio Bolsonaro, festejando o título paulista do Palmeiras, mas silente sobre o número de mortos que alcançava a centena de milhar de mortos. “tocando a vida”.
Jair Bolsonaro não é, na verdade, culpado por todas as mortes, mas seu governo é, certamente, responsável por termos um número de vítimas muito superior ao da maioria dos países.
Temos 2,77% da população mundial e 15% dos casos e quase 14% das mortes registradas no planeta.
O STF e a Globo, se são culpados, são culpados da cumplicidade que tiveram com a ascensão de Bolsonaro ao poder, com todos os avisos do que ele poderia ser.
Inclusive o que é, um instrumento da divisão da sociedade no momento em que ela deveria se unir para combater uma ameaça sanitária com esta da Covid-19.
Essa é a culpa que tem Jair Bolsonaro, a de ter transformado a Covid-19 numa “pandemia com partido”, onde a seriedade e o risco dependiam de ser de “direita-cloroquina” ou de “esquerda-tubaína” e na qual o presidente da Republica transformou-se num negacionista, que agitava caixinhas de remédios milagrosos.
Por isso é que a história registrará a culpa de Bolsonaro – como também a de Trump, nos EUA, por terem levado o desastre às proporções de hecatombe.
Do Tijolaço
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