sábado, 4 de julho de 2020

A DOENÇA HIPÓCRITA DO NEGACIONISMO DE ALÉM-MAR E TUPINIQUIM, POR FERNANDO BRITO

O “evento patriótico” de Donald Trump, ao sopé das estátuas de Washington, Jefferson, Ted Roosevelt e Lincoln foi farto de clichês aos quais também nos acostumamos por aqui.
Diz o The New York Times, Trump está fazendo um “esforço para ganhar um segundo mandato como uma batalha contra um “novo fascismo de extrema esquerda” procurando acabar com os valores e a história da nação.”
“Nossa nação está testemunhando uma campanha impiedosa para acabar com a nossa história, difamar nossos heróis, apagar nossos valores e doutrinar nossos filhos”, disse Trump, dirigindo-se a uma multidão lotada de simpatizantes, poucos dos quais usavam máscaras. “Multidões raivosas estão tentando demolir estátuas de nossos fundadores, desfigurando nossos memoriais mais sagrados e desencadeando uma onda de crimes violentos em nossas cidades”.
À parte provar que infantilismos políticos só levam água para o moinho dos reacionários, o discurso mostra como a direita, hoje, assenta suas esperanças na criação delirante de uma “ameaça comunista” que nem de longe está perto de existir.
Ao mesmo tempo, lá como aqui, ignora-se que a expansão do novo coronavírus, à razão de 50 mil casos por dia, sob o argumento que “as mortes estão diminuindo”.
É como se centenas de mortes diárias fossem, agora, uma coisa normal, simplesmente porque deixaram de atingir as camadas mais ricas da população.
A negação da realidade. fenômeno psicológico conhecido há muitas décadas encontra agora sua versão política e de massas.
Trumpistas, como os bolsonaristas, sinceramente desprezam os fatos, tanto que expõem, uns e outros, suas próprias vidas em aglomerações, sem máscaras ou distância.
As pesquisas, nos EUA, mostram que isso não está conseguindo restaurar o favoritismo que tiveram anos atrás.
São muitos, porém, mas são minorias que se expandiram sob a ação de um conservadorismo que perdeu as bandeiras do progresso e dos avanços sociais que tinha sido capaz de tolerar, na segunda metade do século 20 e atirou-se num fundamentalismo “patriótico” e religioso que faz deles a versão cibernética no fascismo.
Do Tijolaço
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