sexta-feira, 28 de maio de 2021

TRÊS MESTRES, TRÊS LUMINARES DA CULTURA BRASILEIRA QUE SE FORAM COM A PANDEMIA ESTA SEMANA

Perdas depauperam Brasil emocional, intelectual, humanística e esteticamente.

Nelson Sargento, Paulo Mendes da Rocha e Jaime Lerner (Thiago Ribeiro/Agif/AFP - Paja Brava/Wikimedia - Heuler Andrey/AFP).

Semana de perdas que calaram fundo no universo cultural nacional, deixando o Brasil empobrecido, depauperado emocional, intelectual, humanística e esteticamente. As mortes de Paulo Mendes da Rocha, Jaime Lerner e Nelson Sargento, tríade de ouro, de sensibilidade e competência, afetam profundamente o corpo da nação já fragilizado pelo alastramento da pandemia covidiana, em sua terceira onda, onde não há mais barreiras entre jovens e maduros.

Jaime e Nelson engrossam as estatísticas dos levados pelo vírus, Paulo, em processo decorrente de outra enfermidade, em momento de pleno reconhecimento, com honrarias locais e internacionais, de legado considerado e louvado. Permanecerão os três por razões diversas e comuns, sobretudo quando falamos de ousadia, invenção e excelência criativa. Obras arquitetônicas, urbanísticas, musicais, genuinidade e genialidade presentes. Não há transferência de bastão, há, para os interessados e admiradores, aprendizado, trilhas, pistas, caminhos a serem percorridos em rotas individuais, tendo como bússolas preciosas as vidas vividas por esses notáveis cidadãos, mestres na acepção da palavra.

Partidas em momento sensível, em cenário melancólico oposto à prodigiosa natureza cultural do país. Tristes estamos e ainda permaneceremos por uma temporada no inferno da "odiolândia" (expressão cunhada por Giselle Beiguelman) bolsonarista, empobrecedora do espírito, do conhecimento, da educação, nada mais ‘anti’ tudo aquilo que os três luminares representavam, ou melhor, representam na potência singular de cada atuação.

Talentos, inteligências e tantos outros predicados fundamentais à existência de uma cultura plena, de relevo, de referencialidade, de exuberância de um Brasil de respeito e de exemplaridade. Hoje, párias perante o mundo, assistimos ao grotesco espetáculo de motos de variada representação, assassinas, na Amazônia, ou coniventes nos asfaltos das capitais, em desfile macabro de saudação à morte do planeta e da própria nação.

Em meio à tristeza desta semana dificílima, cabe-nos celebrar a vida-obra de Paulo Mendes da Rocha, de Jaime Lerner e de Nelson Sargento, desejando-lhes uma passagem serena, em manto de luz e amor, ao ritmo da música das esferas e da poesia de Haroldo de Campos:

Tristia
minicâmaras térmicas

para inativação do vírus da tristeza

em borbulhas de

 citros

Dom Total.

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